Eleições e novo governo presidencial em pauta

Entrevista com consultor em marketing político Darlan Campos aborda diferenças do pleito para os demais e desafios de Bolsonaro

Por Redação Web Ales, com a contribuição de Matheus Nobre

Emerson Cabral e Darlan Campos
Darlan Campos chama atenção para o voto dos evangélicos e a comunicação direta com o eleitor / Foto: Tati Beling

“A eleição de 2018 marca o fim de um ciclo”. Assim o consultor em marketing político Darlan Campos classificou o pleito deste ano durante entrevista ao programa Diálogos Legislativos, da TV Assembleia. A importância do voto dos evangélicos e o canal direto criado pelo novo presidente, Jair Bolsonaro (PSL), e seus eleitores, também foram abordados. 
 

Ao longo do programa, Darlan Campos também opina sobre a agenda do futuro chefe do Executivo federal, como a fusão de ministérios, a governabilidade junto a um Congresso Nacional renovado e a polarização política que atinge até mesmo famílias e amigos. 
 

Confira na íntegra a entrevista concedida ao jornalista Emerson Cabral: 
 

Alguns números já haviam sido apresentados em relação à regionalidade dos votos, mas você traz uma informação importante sobre a questão religiosa que acabou definindo o processo eleitoral. Como foi isso?
 

As eleições 2018 se inserem dentro de um processo onde o candidato vitorioso foi o mesmo que esteve na frente no primeiro turno. Foi assim em todas as eleições que tivemos no segundo turno na Nova República e nessa eleição um componente fez a diferença, o voto evangélico. 
 

Tirando o componente regional que ficou claro no voto, com o Nordeste dando mais votos ao PT e o restante do país votando em Bolsonaro, o voto evangélico foi onde houve a maior margem de diferença entre os candidatos. Nos católicos, praticamente 50 a 50. Foi a primeira eleição presidencial que o voto evangélico definiu o presidente. 
 

Como você está avaliando as primeiras semanas logo após a eleição, nesse processo de transição entre o governo de Michel Temer e de Jair Bolsonaro?
 

Novas pessoas vão se achegando para essa composição. Um primeiro desafio é ter uma voz. A gente tem muitas vozes falando pelo governo e vamos vendo o futuro governo batendo cabeça em alguns assuntos. Um ministro desautorizando uma fala de outro ministro, coisas de uma equipe que ainda está se conhecendo.
 

Um segundo elemento é que duas pautas fizeram a diferença para Jair Bolsonaro na sua eleição. Primeiro, a pauta anticorrupção, algo que ele utilizou no discurso moral. O segundo é a pauta econômica com a retomada do crescimento e a diminuição do desemprego. E para esses dois elementos, ele traz dois nomes fortes: Paulo Guedes para economia e Sérgio Moro, que do ponto de vista social tem uma boa imagem no imaginário popular. Com certeza é algo que agrega uma força de sustentação maior para o governo de Bolsonaro.
 

Várias pessoas se colocam como porta-vozes do governo. Você percebe que há certa desorganização? E, mais do que isso, durante a campanha, Jair Bolsonaro se comunicou praticamente pelas redes sociais já que ele tinha pouco tempo de televisão e, logo após ser eleito, não fez nenhum pronunciamento na TV, o que é geralmente de praxe. Você acha que isso pode atrapalhá-lo no futuro?
 

Primeiro é importante perceber que nós estamos diante de um novo momento na política nacional. A eleição de 2018 marca o fim de um ciclo, o ciclo construído após a Nova República, na eleição de Collor. Até agora todos os candidatos que se colocaram na disputa comungavam em uma série de fatores. Comungavam na perspectiva de uma critica à ditadura militar, de uma aceitação do processo de transição democrática.

Entretanto, Bolsonaro vem em um processo de crítica a todos esses aspectos e inaugura um novo tempo. Junto com esse novo tempo inaugurado está também uma utilização mais direta do seu diálogo com o eleitor. Então, ao invés de buscar ser mediado pelos meios de comunicação, em um diálogo mais profundo como os governos petistas fizeram nos últimos quatro governos que estiveram no poder, ele se organiza de uma outra forma a buscar um contato muito mais direto e nesse princípio se aproximando um pouco do que o Trump faz nos Estados Unidos.
 

Quais foram os fatores no imaginário coletivo que levaram à eleição de Bolsonaro?
 

É importante perceber que dois elementos foram fundamentais nessa caminhada para Bolsonaro. Nós temos de lembrar que a legislação para a eleição 2018 trouxe um estatuto novo, que é o alargamento da pré-campanha. Antigamente, existiam muitas restrições do candidato fazer sua pré-campanha antes do processo eleitoral. Com o alargamento do conceito de pré-campanha na legislação de 2018, isso possibilitou que Bolsonaro percorresse o Brasil, ele está há pelo menos três anos percorrendo o país fazendo a sua campanha presidencial.
 

Ele deixou isso claro. Quando Dilma foi reeleita, ele estabeleceu uma meta de que naquele dia começaria a campanha para presidente da República...
 

Nesse processo, dois fatos foram fundamentais para levar Bolsonaro ao poder. Primeiro, a (Operação) Lava Jato, todos os partidos e candidatos políticos que foram atingidos de alguma forma tiveram um insucesso nessas eleições. O segundo elemento foi o atentado que ele sofreu. De um lado, tira ele das ruas que era algo forte que ele tinha, o seu contato com a população. Mas por outro lado, preserva o candidato de uma série de exposições publicas que ele teria que fazer, entrevistas, debates.. e isso de alguma forma o preservou de desgastes que ele sofreria ao longo da campanha.
 

Qual sua avaliação sobre essa pauta de fusão de ministérios?
 

Existe um sentimento popular de que o Estado é ineficiente. Diante disso, a proposta de Jair é menos no sentido de diminuir ou de trazer novas fontes de recurso, uma vez que as estruturas ministeriais vão existir. O que vai se diminuir é o status de ministério, a economia não é tão grande assim como se imagina com a diminuição de ministérios. Entretanto, você atende um anseio popular que espera um enxugamento da máquina.
 

Você acha que isso pode criar problemas? Por exemplo, um ministro cuidar de questões econômicas e depois também ser responsável por uma pasta que envolva a indústria e o comércio? 
 

O desafio de Jair Bolsonaro e dos ministros escolhidos nesta nova composição ministerial que ainda não foi anunciada é organizar isso de tal forma que não dificulte a estruturação da máquina pública. O processo de gestão propriamente dito vai ser um desafio. Há uma tendência de haver uma concentração de competências muito grandes em determinadas pessoas, o que pode inviabilizar ou até dificultar as decisões com celeridade. São desafios que ele terá à frente e nós teremos de aguardar. Do ponto de vista político, nós temos de entender que Moro e Guedes, de alguma forma, são escudos do Bolsonaro nesse momento. Se algo não der certo na economia, quem será vitrine é Paulo Guedes, se algo não der certo na perspectiva da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro vai ser a primeira vidraça. 
 

O processo eleitoral já acabou, temos um presidente eleito. Mas parece que a guarda ainda não baixou, tanto de quem venceu a eleição, quanto de quem ficou agora na oposição. Chama atenção um certo movimento relacionado a questões pedagógicas e de doutrinação em escolas. O próprio filho do Bolsonaro faz declarações defendendo que alunos façam gravações de professores em sala de aula. Qual é a sua avaliação sobre esse aspecto específico em relação ao debate político dentro do ambiente escolar e acadêmico?
 

De alguma forma, vamos perceber, a partir de agora com o governo instituído, uma série de ações que dialoguem com seu próprio eleitorado. Essa é uma demanda de uma parcela do eleitorado de Bolsonaro que vê em diversos ambientes um sentimento de ideologização excessiva. Há uma crítica às ideologias, entretanto, a partir de um discurso que se diz não ideológico. Apesar de o Congresso estar mais conservador do que o Congresso anterior, nós vamos perceber que o Judiciário vai ser um espaço importante de freio e contrapeso. 
 

Como vai ser o comportamento desse governo e as suas relações com o Congresso, Senado e a Câmara?
 

Nós temos uma série de pautas importantes, Bolsonaro tem um desafio pela frente. Uma grave crise fiscal que o Brasil vive, uma série de reformas necessárias, a reforma da Previdência que inevitavelmente vai ser colocada em pauta no próximo governo. Vale lembrar que uma parcela importante do Congresso é nova, de nunca ter estado naquele ambiente.
 

Para terminarmos, como é possível unir o Brasil novamente? Nós tivemos muitas pessoas brigando com família, amigos, nos seus espaços de igreja, nos sindicatos, nos partidos políticos... Qual o seu conselho para que tenhamos um país unido novamente?
 

Faz parte da dinâmica de todas as democracias que possuem segundo turno termos um espaço de acirramento maior. Mas a tendência é que esse clima diminua; entretanto, podemos esperar muito conflito entre oposição e governo no próximo ciclo.

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