Cultura debate potencial da música capixaba

Falta de reconhecimento profissional e restrições na legislação foram aspectos discutidos na reunião do colegiado

Por Gabriela Zorzal

Reunião da Comissão de Cultura
Comissão de Cultura ouviu representantes da área musical, em reunião nesta terça-feira / Foto: Ellen Campanharo

O Espírito Santo se emocionou com a vitória do cantor mirim capixaba Jeremias Reis, de 12 anos, que venceu o reality show “The Voice Kids” no último domingo (15). O resultado foi celebrado na reunião do colegiado de Cultura da Assembleia Legislativa. Os deputados aproveitaram o destaque nacional para falar sobre os desafios e as potencialidades da música no Espírito Santo. 

O deputado estadual Torino Marques (PSL) relembrou a caminhada do cantor mirim ao longo do reality show, desde sua primeira apresentação, quando todas as cadeiras viraram para o cantor, até a edição final, com a vitória do menino, conhecido como “Jerê”. “Jerê é um xodó para os capixabas. Todos nós sentimos alegria e orgulho desse ídolo. É muito importante destacar que ele é uma descoberta de um projeto social do município da Serra. E o Jeremias faz a gente pensar na potência e no mercado da música”, afirmou o parlamentar. 

A reunião foi presidida pelo deputado Torino Marques (PSL) e contou também com a presença do vice-presidente, deputado Carlos Von (Avante), além dos deputados Delegado Danilo Bahiense (PSL) e Adilson Espíndula (PTB). 

Controle acústico

O titular da Câmara de Artes Musicais do Conselho Estadual de Cultura, Daniel Gonçalves Morelo, registrou que uma das dificuldades é a música não ser compreendida como um mercado. “O Jeremias entrou pela Rede Globo, melhor porta de entrada para um artista. Mas a gente não consegue garantir a continuidade. Eu pergunto: vocês lembram quem foram os vencedores das outras edições do programa? Infelizmente a música é vista como um hobby, uma diversão, e não como um mercado de trabalho, capaz de gerar renda e imposto”, disse.

Morelo, que também é produtor cultural, destacou que a própria lei do Disque-Silêncio restringe a música. “No Espírito Santo, a legislação é cinco decibéis mais baixa que a média nacional. Ou seja, a música é interpretada como ruído, como barulho. Música não é barulho. Música é cultura, arte e identidade”, pontuou.

Eventos locais

Os eventos locais, como festivais e festas de cidades, são importantes para a valorização dos músicos capixabas. O gestor da Associação Capixaba dos Músicos Profissionais (Acamp), Jorge Egber, criticou a forma como os profissionais são contratados. 

“Não conseguimos avançar nesse tema. As prefeituras estão tratando os músicos como objeto na hora da contratação. Eu solicitei ao Tribunal de Contas uma explicação sobre o motivo pelo qual as prefeituras precisam apresentar três orçamentos para contratar um músico. Nós não conseguimos fazer um cachê que nos dê condição de sobreviver e investir no nosso próprio trabalho”, disse Egber. Ele acrescentou ainda que, por causa da crise financeira, muitas prefeituras não estão conseguindo manter as festas locais tradicionais.

Fames

Uma das referências no assunto no Estado é a Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames). O diretor da instituição, Fabiano Araújo Costa, afirmou que a faculdade possui mais de 300 alunos na graduação e que falta reconhecimento para os profissionais com diploma de mestre e doutor.

"Nós precisamos tomar conta desse mercado. Além das ações sociais, nós temos a dimensão de ensino, pesquisa e extensão. Ainda temos falhas na articulação dessas três dimensões, principalmente o fortalecimento da pesquisa. Daí a necessidade de reconhecer os profissionais mestres e doutores. Infelizmente, muito professores altamente qualificados não são reconhecidos como tal”.  

Legislação

O deputado Torino Marques afirmou que a comissão vai estudar possíveis legislações que possam impulsionar o setor. “Uma das ideias é a obrigatoriedade de contratar artistas locais para a abertura de shows nacionais”, explicou.
 

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