Ato pela educação tem adesão de deputados

Manifestação mobilizou professores, estudantes e movimentos organizados e tomou conta das escadarias da Assembleia Legislativa 

Por Larissa Lacerda

Manifestação contra corte de recursos na educação
Manifestantes ocuparam as escadarias da Assembleia / Foto: Tati Beling

Em resposta às políticas e cortes de verbas do governo federal na área da educação, estão sendo realizadas, nesta quarta-feira (15), manifestações em todo o país. Em Vitória, as ações começaram logo cedo, às 8h30, com concentração na Praça do Papa. De lá os manifestantes seguiram até a sede da Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá.

- Veja galeria de fotos da manifestação

O tema da educação pautou também os discursos de parlamentares durante a sessão ordinária desta quarta-feira. Após os trabalhos em plenário, os deputados Sergio Majeski (PSB), Iriny Lopes (PT), Janete de Sá (PMN) e Doutor Hércules (PMDB) se juntaram em apoio ao movimento concentrado em frente à Ales e fizeram discursos em defesa da educação.

Para o deputado Sergio Majeski (PSB), as manifestações representam um marco pela luta em favor da educação pública. “A nossa luta pela educação é antiga. E hoje é uma luta ampla, é um dia importante. Não é só pelo corte de verbas nas universidades, mas sobre tudo o que a educação vem sofrendo. É um marco porque as pessoas não aguentam mais e não vão aceitar tudo que está vindo aí contra a educação e contra os professores. Me solidarizo com os professores e as instituições federais, estaduais e municipais”, afirmou o parlamentar, que lecionou por mais de 30 anos. 

A deputada Iriny Lopes (PT) falou da importância dos investimentos no setor: “O presidente anuncia corte na educação básica e nas universidades. Isso mostra que querem nos levar à idade medieval. Um país sem educação não constrói soberania, não constrói conhecimento, não constrói cidadania”, alertou. 

Autoritarismo

A deputada Janete de Sá (PMN) endossou as palavras da petista: “Cortar o conhecimento, cortar a qualificação profissional, é empobrecer uma sociedade. As universidades são os espaços de formação de opinião; por isso, temos a urgência de defender a educação. É para frente que se anda e cortar recursos da educação é andar para trás. E eu só conheço cortes na educação, só vemos cerceamento da educação em regimes autoritários. E essa não é nossa bandeira. Nós não escolhemos o autoritarismo nesse país”, reforçou.

O deputado Doutor Hércules (MDB) citou Paulo Freire em seu discurso de apoio ao movimento. “Não é possível cortar um centavo da verba da educação do povo brasileiro. Paulo Freire disse que a ‘educação não muda o mundo, a educação mudas as pessoas e as pessoas que mudam o mundo’. Não podemos aceitar corte de verbas na educação, por isso meu apoio a essa manifestação”, destacou. 

A Assembleia Legislativa entrou com uma ação na justiça para que os cortes anunciados não atinjam o Espírito Santo. Segundo o presidente da Casa, Erick Musso (PRB), a medida engloba a Ufes e o Ifes.

Bandeiras

Em Vitória, professores, estudantes, sindicalistas e representantes de movimentos sociais protestam, de forma pacífica, contra o contingenciamento de verbas públicas do Ministério da Educação para o ensino superior e para o ensino básico. Além do anúncio de bloqueio de 30% da verba para todas as universidades e institutos federais, o governo pretende cortar bolsas de pós-graduação, atingindo as instituições superiores no geral, não só as federais, o que inviabilizaria muitas pesquisas científicas no Brasil.

O movimento também pleiteia a liberdade de ensino e pensamento nas universidades e escolas e se posiciona contra o projeto Escola Sem Partido. Matéria em tramitação no Congresso Nacional propõe proibir professores de fazer comentários políticos em sala de aula. O governo também promete retirar “questões ideológicas” do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).  

Outra bandeira levantada no evento foi reforma da previdência. Os manifestantes se posicionaram contra o projeto de reforma da Previdência apresentado pelo governo federal que está em análise na Câmara dos Deputados. Entre as propostas estão o aumento do tempo para aposentadoria e alíquotas mais altas de contribuição previdenciária.

O ato foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), pela Central Única de Trabalhadores (CUT) e por sindicatos de segmentos como  metalúrgicos e comerciários. De acordo com a organização, cerca de seis mil pessoas participaram do ato. 

O diretor de comunicação do Sindiupes, Paulo Loureiro, cobrou o comprometimento do Poder Legislativo na valorização da educação. “Hoje a pauta no Brasil todo é a educação. Nós não podemos concordar que a educação seja culpada pela crise e muito menos o ataque que estamos sofrendo.

Nós estamos convocando os deputados para que eles se comprometam com a pauta da educação. Para que eles dialoguem com suas bancadas para tentar garantir que esse Estado vote contra a Reforma da Previdência e contra o contingenciamento de verbas da educação. Convocamos não só os deputados, mas toda a população para se juntar à luta”, afirmou.

Além da capital, foram realizadas manifestações em Vila Velha, Colatina e São Mateus. Novos atos estão marcados para começar às 16h30, em frente ao Teatro Universitário da Ufes e em frente ao prédio do Ifes, em Vitória.
 

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