Diretora de escola apresenta trabalho premiado

Antes marcada pela violência, escola estadual em Central Carapina, na Serra, foi transformada pelo projeto “Gestando sonhos, alcançando metas”

Por Kissila Mell

Diretora de escola estadual, Juliana Vianna
Juliana Vianna apresentou trabalho frente à Escola Estadual Jones José Nascimento / Foto: Ellen Campanharo

"Amor pelo trabalho e vontade de fazer a diferença”. Com essas lições a premiada diretora de escola Juliana Rohsner Vianna apresentou seu trabalho frente à Escola Estadual Jones José Nascimento, após assumir a direção em abril de 2016, quando a unidade passava por problemas de violência e indisciplina. Juliana esteve na reunião ordinária da Comissão de Educação nesta segunda-feira (12), e falou de como é possível desenvolver uma gestão humanizada e ainda alcançar metas num cenário já desacreditado.

Confira mais fotos da reunião da Comissão de Educação

Localizada em Central Carapina, no município da Serra, a Escola Estadual Jones José do Nascimento enfrentava problemas crônicos de indisciplina, vandalismo, e baixa aprendizagem e, ainda, estava prestes a ser fechada quando Juliana assumiu o desafio de gerir a respectiva instituição de ensino.

“A escola era considerada a mais violenta do Espírito Santo. Tinha problemas de vandalismo, e chegou ao ponto de ser invadida por pessoas que tentaram matar o diretor da época. Havia uma determinação do Ministério Público do Estado para que a escola fosse fechada, e foi nesse contexto que assumi”, lembrou a diretora.

Para mudar o cenário da Jones José do Nascimento, Vianna ressalta que embora seu trabalho apresente-se como algo “inacreditável”, na verdade ela não desenvolveu “nada de extraordinário, e que tudo foi feito dentro do campo comum”.

Conheceu os espaços físicos, jogou fora entulhos, reposicionou a sala da diretoria, acabou com salas posicionadas muito próximas às ruas, pintou a escola, distribui cartazes com frases e imagens motivacionais e até conseguiu uma nova quadra, aquisição essa definida como um marco de “empoderamento” para o seu trabalho, já que a comunidade não acreditava mais nesta conquista.

De acordo com Juliana, todo esse empenho foi importante para a transformação da escola, mas que fundamental foi conhecer as particularidades da região que estava inserida, para conquistar de vez a participação ativa da comunidade.

“Foi fundamental ouvir a comunidade interna e externa. Assim observamos e pudemos propor intervenções de forma respeitosa, aproximando-se das necessidades da comunidade e das expectativas dos pais. O caos foi vencido pelo diálogo, pela organização dos espaços, pelo limite, pela oportunidade de sair e conhecer outros ambientes educativos, pelo ensino”, ressaltou Juliana.

Outras medidas adotadas pela diretora foi o fortalecimento de lideranças democráticas como o grêmio estudantil e o conselho escolar, além da aproximação com projetos sociais desenvolvidos por Organizações não Governamentais (ONG’s), determinante na aproximação com os pais, que já não frequentavam as reuniões escolares.

Diante de tantas mudanças, Juliana apontou que a maior vitória foi o envolvimento dos professores em um trabalho colaborativo que possibilitou traçar novas ações pedagógicas e, principalmente, alterou os índices de aprendizagem.

“Em 2017 o nível era bem abaixo do esperado para a série, os professores não conseguiam utilizar o livro didático, pois os alunos estavam aquém do conteúdo. Era preciso parar tudo e fazer uma boa avaliação diagnóstica e retomar os conceitos básicos para depois avançar nos conteúdos. Esse realinhamento foi feito diversas vezes ao longo do ano”, explicou.

Os resultados não demoraram em aparecer. Dos 28,6% de alunos abaixo do conhecimento básico em Língua Portuguesa em 2017, ficaram apenas 3,4% em 2018. Já os proficientes passaram de 7,1% para 31%. Em Matemática, 50% tinham resultados abaixo do básico em 2017. No ano seguinte, esse número caiu para menos de 14%.

O “Novo Jones”, atual apelido pelo qual os alunos dirigem-se à instituição, deixou para trás uma realidade de vandalismo, pichações, evasão e violência e se uniu à comunidade e às famílias em busca de novos rumos para uma educação mais humana e de qualidade. “O nosso maior sucesso é ter conseguido mudar a realidade dos nossos alunos. Hoje, eles gostam de estudar no Jones”, comemora Juliana.

O deputado Doutor Emílio Mameri (PSDB), responsável pelo convite à diretora Juliana, ressalta a importância de também debater na Casa inciativas otimistas e estimulantes. “Com esse exemplo percebemos que podemos sim replicar esse modelo. A Juliana conduziu seu trabalho e equipe com maestria e mostrou que é possível ganhar a escola e a comunidade. É mesmo gratificante conhecer todo esse trabalho de perto”, elogiou o parlamentar.

Juliana é vencedora do prêmio “Educador nota 10” – 2018; finalista do prêmio “Mulheres do Amanhã” – 2018; Vencedora da Região Sudeste do prêmio “Gestão Escolar” – 2017 (entre as cinco escolas referências do país); vencedora do prêmio “Boas Práticas SEDU” - 2016, categoria gestão escolar administrativa; e vencedora do prêmio “Boas Práticas SEDU” – 2017, categoria gestão escolar administrativo.

A comissão é presidida por Vandinho Leite (PSDB), tendo o Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido) como vice. Sergio Majeski (PSB), Dary Pagung (sem partido) e Emilio Mameri (PSDB) são membros efetivos. Alexandre Xambinho (Rede), Renzo Vasconcelos (PP), Hudson Leal (PRB), Enivaldo dos Anjos (PSD) e Euclério Sampaio (DC) são suplentes do colegiado.

Comissões: Educação
CPI ouve suspeito de invadir rede social
Após oitiva, colegiado decidiu encaminhar o caso à Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos
Jorge Duarte traz oficina de comunicação pública
“Comunicação Pública: como fazer” é o tema da oficina coordenada pelo jornalista em simpósio da Secretaria de Comunicação da Ales
Colegiado vai convocar diretor do Hospital Infantil
Comissão de Proteção à Criança também discutiu em reunião a criação de comissão para levantar a situação de toda a rede de hospitais capixabas
Agentes socioeducativos pedem mais direitos
Categoria pediu apoio dos deputados a matéria de Pazolini que garante prerrogativas como o direito a portar arma de fogo fora do ambiente de trabalho
CPI ouve suspeito de invadir rede social
Após oitiva, colegiado decidiu encaminhar o caso à Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos
Jorge Duarte traz oficina de comunicação pública
“Comunicação Pública: como fazer” é o tema da oficina coordenada pelo jornalista em simpósio da Secretaria de Comunicação da Ales
Colegiado vai convocar diretor do Hospital Infantil
Comissão de Proteção à Criança também discutiu em reunião a criação de comissão para levantar a situação de toda a rede de hospitais capixabas