Parlamentares discutem medidas contra pandemia no ES

Para alguns o Executivo está fazendo o necessário; para outros cabem críticas ao elevado número de óbitos e um pedido de mudança de estratégia

Por Gleyson Tete

Deputada Janete de Sá
Deputada Janete de Sá / Foto: Assessoria

As medidas que estão sendo tomadas pelo governo do Estado para mitigar os efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) foram temas de vários pronunciamentos durante a sessão ordinária virtual desta terça-feira (19) realizada pela Assembleia Legislativa (Ales). Para alguns o Executivo está fazendo os esforços necessários; outros criticaram o elevado número de óbitos e pediram uma mudança de estratégia.

Veja fotos da sessão virtual

De acordo com Bruno Lamas (PSB) o sistema público de saúde saiu de 60 leitos em março deste ano para mais de 700. “Se você capixaba for infectado vai ter o direito de lutar pela sua vida. São leitos de UTI e enfermaria. Tem 50% de ocupação nos de enfermaria e 80% nos de UTI. Vão ampliar para mais 200 leitos para se chegar a 700 só de UTI”, garantiu. 

Outros pontos mencionados pelo pessebista envolveram o número de testes realizados no Espírito Santo e a substituição dos profissionais da saúde infectados pelo vírus SARS-CoV-2. “Já foram realizados 30 mil testes, somos o Estado que mais testa, são 7,5 mil por cada milhão de habitantes. (...) São cerca de 600 profissionais afastados e foram contratados 750”, salientou. 

Dr. Rafael Favatto (Patriota) citou que o Brasil ainda está no meio da pandemia, mas que o Estado vem enfrentamento bem em virtude da organização de sua estrutura sanitária. “É uma situação atípica, o que o governo e a secretaria de Saúde estão fazendo está certo, fazendo medidas estruturais para passar de modo mais suave”, corroborou. 

Ele recordou que países considerados de primeiro mundo como Estados Unidos, China e Japão tiveram muitas mortes e que não seria diferente no Brasil. “As equipes médicas, enfermeiros e técnicos têm lutado com força e garra para minimizar os impactos. A gente pede calma e prudência, para ficar em casa, principalmente, os grupos de risco, como idosos, diabéticos, obesos, hipertensos e pessoas com doenças pulmonares”, frisou.

Já o Delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos) pontuou que na opinião dele era hora de mudar a estratégia de combate à pandemia e que considerava elevado o número de 325 óbitos até o momento. “Há necessidade de rever políticas públicas. A Assembleia tem apoiado o governo do Estado, mas não me parece aceitável ter essa quantidade de mortos”, disse. 

Para o parlamentar era necessário ter humildade, esquecer embates políticos e buscar entender as medidas tomadas em estados com poucas mortes. “Não tenho a solução para tudo, mas temos que abrir um debate com a sociedade, não podemos fazer mais do mesmo porque o resultado não vai se alterar. Temos vários estados como menos de 100 mortos. Tem que dar um choque de ordem, rever conceitos e procurar Goiás, Rio Grande do Norte e Mato Grosso”, exemplificou. 

Os deputados Capitão Assumção (Patriota) e Hudson Leal (Republicanos) apontaram o uso da hidroxicloroquina no tratamento inicial da doença. Já Alexandre Xambinho (PL) e Doutor Hércules (MDB) sugeriram a instalação de um hospital de campanha na área do Pavilhão de Carapina para ajudar no tratamento dos infectados.

Janete de Sá (PMN) lamentou os 23 óbitos registrados nas últimas 24 horas no Estado e reforçou a seriedade no trato da doença. “Não podemos ficar em cabo de guerra, temos que ouvir a OMS, que orienta esta questão a nível internacional. Essa doença não é brincadeira, estamos todos os dias perdendo entes queridas e pessoas próximas”, alertou.

Por fim, o Dr. Emílio Mameri (PSDB) indicou que o Espírito Santo estava no epicentro junto com outros estados e que não achava adequada a comparação com outros estados em situações totalmente diferentes. “Temos que avaliar inúmeros indicadores para comparar. Eu também sou epidemiologista e não é salutar essas comparações”, explicou. 

O tucano ponderou que independentemente de ideologias políticas o governo estava trabalhando de maneira acertada e deu como exemplo a criação de um comitê de crise logo no início da pandemia. Ele ainda criticou a falta de articulação do governo federal. “O país já trocou dois ministros, estamos falando línguas diferentes e a população não entende. A parte técnica e científica fala uma coisa e outra que não entende nada fala de saúde e de medicação. A gente sabe que a doença não tem remédio, o inimigo comum é o Covid-19”, lembrou.

A respeito da montagem de um hospital de campanha ele falou que a medida é indicada quando os leitos hospitalares estão cheios, o que não era o caso do Espírito Santo até o cenário atual, mas assegurou que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) já tinha feito um planejamento neste sentido e que o hospital Dr. Jayme Santos Neves tinha dois andares disponíveis para a instalação de mais leitos se houvesse necessidade.

Transcol

Na Fase das Comunicações Capitão Assumção (Patriota) fez um pronunciamento criticando o governo do Estado por proibir o uso de pagamento em dinheiro no Sistema Transcol e afastar os trocadores por 60 dias sob o argumento de diminuir o contato deles com os passageiros. 

“O Estado vai matar 3,5 mil trocadores com a desculpa esfarrapada de não manuseio das cédulas para não se contaminar. É uma falácia. (...) O governo quer implantar o ar-condicionado e vai tirar os trocadores. Na planilha tem o custo deles, vai abaixar a passagem?”, indagou.

Dary Pagung (PSB), líder em exercício do Executivo na Casa, respondeu ao colega que não haverá demissões de trocadores e que a suspensão dos trabalhos foi combinada com o Sindicato da categoria. 

Recuperação econômica

O deputado Alexandre Xambinho (PL) usou seu tempo na Fase das Comunicações para agradecer aos pares pelo apoio na criação da Frente Parlamentar de Proteção e Recuperação Econômica e Social do Empreendedorismo Capixaba.

“Vamos debater a recuperação econômica do Estado, principalmente, dos pequenos empreendedores que contribuem para o desenvolvimento e geram empregos. Nos últimos dias temos acompanhado notícias dos créditos dos governos estadual e federal, mas infelizmente eles não estão conseguindo ter acesso a esses créditos por causa da burocracia dos bancos”, lamentou. 

Ele salientou que no Espírito Santo existem cerca de 415 mil micro e pequenos empreendedores, que geram 405 mil empregos de carteira assinada. “Uma das nossas propostas é fazer a reversão do Fundo Soberano para o programa juro zero para mantermos a economia de pé. Não adianta guardar esse dinheiro para daqui a 10, 20 anos se estamos sofrendo com esse problema”, argumentou. 

Carlos Von (Avante) falou que no município de Guarapari nenhum microempreendedor conseguiu o empréstimo oferecido pelo Banestes. Outro assunto abordado pelo parlamentar foi em relação ao fato de o Executivo estadual não ter feito a prorrogação do pagamento Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA). 

“Além de não ter feito a prorrogação determinou que a PM realizasse diversas blitze. Foram apreendidas centenas de motos em Guarapari e levadas para um pátio em Serra. As pessoas perderam o veículo de trabalho que usavam para fazer um delivery. (...) A gente pede que não guinche nenhum carro ou moto nesse período de pandemia”, solicitou.

Datas comemorativas

Duas datas comemorativas foram lembradas durante a sessão: o Dia do Assistente Social, celebrado no último dia 15, e o Dia da Defensoria Pública, comemorado nesta terça. O deputado Coronel Alexandre Quintino (PSL) ressaltou que a Defensoria era uma instituição fundamental para a democracia e que garantia aos hipossuficientes o acesso à Justiça.

“Para muitos é a única possibilidade de assistência jurídica nas mais diversas situações, no oferecimento integral da saúde, na pacificação das relações familiares e sociais, no suporte a comunidades atingidas por acidentes naturais e acesso aos órgãos do Estado. O ideal seria que em casa município tivesse uma defensoria regularmente instituída”, reforçou. “Continuem nesse trabalho árduo de deixar nossa sociedade mais justa e menos desigual. É uma nobre e indispensável categoria”, completou Janete de Sá (PMN). 

Já o presidente da Comissão de Assistência Social Adilson Espíndula (PTB) disse que iria ser realizada uma sessão solene para marcar a data, mas que não foi possível por causa da pandemia do novo coronavírus. “Os assistentes fazem um trabalho de extrema importância e garantem direitos aos usuários da rede de assistência social”, destacou.

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