Vice-governadora avalia participação de mulheres na política

Em entrevista ao Portal Web Ales, Jaqueline Moraes falou sobre os desafios para superar a baixa representatividade feminina na política

Por Larissa Lacerda

Jaqueline Moraes
Jaqueline Moraes atuou como moderadora em curso de direito eleitoral nesta sexta / Foto: Tati Beling

Primeira mulher a assumir a vice-governadoria do Estado do Espírito Santo, Jacqueline Moraes defende a ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder e decisão. Idealizadora da campanha #nãosejalaranja, iniciada quando estava à frente da Secretaria de Mulheres do seu partido (PSB), a vice-governadora concedeu uma entrevista ao Portal Web Ales e falou sobre o papel da mulher na política. Ela comentou o que precisa ser feito para ampliar o acesso e garantir que avanços aconteçam de maneira significativa e contínua. Nesta sexta (3), pela manhã, a vice-governadora debateu o tema em Curso sobre Direito Eleitoral, em que atuou como moderadora

Como a senhora avalia a presença feminina na política? A senhora vê avanços?

Segundo a pesquisa do Senado que saiu em 2019, o Espírito Santo ocupa o 27º lugar na representação feminina. É um número muito ruim, porque nos estados da Federação mais o Distrito Federal nós somos o último. Esse número me incomodou muito, por mais que a gente tenha a vice-governadora, uma senadora, três deputadas federais e três estaduais, praticamente 80 vereadoras, oito vice-prefeitas e quatro prefeitas, ainda é baixa a representatividade em relação aos outros estados da federação. Temos visto avanços no campo das conquistas de direitos, por exemplo, a questão da arrecadação do fundo que é destinado às mulheres, eu vejo grande avanço. A cota - apesar de não ser cota de mulheres, é cota de gêneros -  garantiu maior participação das mulheres. E depois na eleição de 2018 surgiu a cota financeira que é proporcional ao número de mulheres, o partido que tiver 40% de mulheres vai ter 40% do dinheiro destinado para as candidaturas femininas. Eu vejo isso como avanço, mas nós ainda não temos avanço nos números, ainda são avanços tímidos”.

Mesmo com a cota de gênero, o que vemos ainda são muitas candidaturas laranjas. Como a senhora avalia essa questão?

A candidatura laranja teve uma leve redução em 2018. Eu fiz um estudo quando eu cheguei à Secretaria de Mulheres do meu partido e criei a campanha #nãosejalaranja dentro da estrutura partidária. Também levei a campanha para a OAB, para o Ministério Público, para as Câmaras Municipais. Fui para vários lugares, onde a gente percebe que talvez seja onde nascem as candidaturas laranjas por causa da necessidade de preencher a cota. E vemos que não há um incentivo anterior dos partidos em preparar as mulheres no campo da política. Ou seja, formação política, e formação político-eleitoral, que contempla como agregar votos, se portar, se falar, questões que incentivem as mulheres a participarem. Na época, eu criei essa hashtag e ela teve uma influência grande no estado e a gente conseguiu êxito. Acabei percorrendo o estado todo com essa campanha e fui convidada a ser vice-governadora.

Quais são os reflexos na política e na sociedade quando as mulheres ocupam papéis de poder e de decisão?

O baixo interesse das mulheres em participarem gera uma baixa representatividade, que gera uma baixa quantidade e qualidade de políticas públicas. E assim, cria um círculo vicioso. Nós precisaríamos quebrar o ciclo. E onde quebrar o ciclo? Primeiro no interesse. Então, eu imaginei que, para garantir o interesse, a gente precisaria abordar mais a temática de fortalecer a ideia que as mulheres podem alcançar o espaço que quiser. E eu comecei a trabalhar a ideia de ocupar o lugar de fala. Eu, por exemplo, comecei como camelô e a Associação de Camelô naquele momento era o meu lugar de fala. Depois, fui líder comunitária e aquele se tornou meu lugar de fala na minha comunidade. Que me projetou a candidatar vereadora. Me candidatei, ganhei e ocupei outro lugar de fala que foi a tribuna da Câmara. Um lugar de fala, de poder e de decisões políticas. Depois decidi ocupar a secretaria estadual do meu partido, que foi onde eu criei a campanha #nãosejalaranja. Então quando você orienta essas mulheres e as incentiva a ocupar seu lugar de fala, você vai projetando essas mulheres. Hoje na Vice-governadoria, eu procuro contemplar projetos como o Agenda Mulher, projetos que a gente está coordenando que tenham visibilidade para outras mulheres que estão atuando nos bastidores, mas para que essas mulheres ocupem lugares de decisão. Porque muitas estão ocupando lugar de formação, de escrever a política, de pensar, mas não decidem. Então, o lugar de decisão também para nós mulheres é muito importante. Então, eu procuro sempre visibilizar, fortalecer outras mulheres. E essa tem que ser uma tarefa de todas as mulheres que estão em espaços de decisão.

O que pode ser feito para impulsionar a participação das mulheres na política?

Culturalmente, a gente percebe uma mudança tímida, mas gradativa na ideia de que a mulher pode ocupar o espaço que quiser. Então, essa ideia que a história construiu em que o espaço privado era especificamente das mulheres e o espaço público dos homens tem sido alterado ao longo do tempo. Essa nova geração está vindo com um empoderamento maior. O empoderamento da juventude. Com isso, a gente consegue um avanço social, mas tudo é mudança de cultura. A gente entende que existe o conservadorismo, um machismo estrutural na sociedade. Em tudo eu vejo mudanças, evolução, mas mudanças lentas. A gente precisa construir mais políticas públicas para fortalecer essas mudanças.
 

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