Melhorias no atendimento de fenda labiopalatal em debate

Convidados da Comissão de Saúde defenderam mudança no programa ofertado na rede pública e sugeriram alterações no encaminhamento de pacientes

Por Marcos Bonn, com edição de Angèle Murad | Atualizado há 1 mês

Homem de costas sentado atrás de porta e à frente deles pessoas sentadas
Proposta é transformar centro de atenção que existe no Hospital Infantil em centro de referência / Foto: Lucas S. Costa

Deformidade que atinge 250 mil brasileiros e 90 crianças nascidas por ano no Espírito Santo, a fissura labiopalatal foi o tema da reunião extraordinária da Comissão de Saúde desta terça-feira (28). O colegiado recebeu médicos que atuam no serviço especializado criado há dois anos no Hospital Estadual Infantil de Vitória para atender esses pacientes. 

Álbum de fotos da reunião extraordinária

Os cirurgiões plásticos Gabriel Duarte Basílio e Rosalie Matuk Fuentes Torrelio falaram da importância em manter esse programa “sustentável”. Atualmente existem 200 pacientes em tratamento, 14 profissionais nas áreas de cirurgia plástica, pediatria, ortodontia, cirurgia bucomaxilofacial, psicologia, nutrição, serviço social e fonoaudiologia. 

A iniciativa é mantida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e o Espírito Santo era o único da Região Sudeste que não tinha esse tipo de atenção especializada – antigamente os pacientes eram encaminhados para o Centrinho, em Bauru (SP). “É uma equipe em implantação”, lembrou Basílio, que frisou a necessidade de formação dos profissionais. 

Segundo Rosalie Matuk, ela e os colegas buscam junto à Sesa transformar o centro de atenção que existe no Hospital Infantil em centro de referência. Essa mudança de status, além de garantir todo o acompanhamento clínico e cirúrgico do paciente, permitiria a formação de profissionais especializados de dentro e fora do estado.  

Ela citou, por exemplo, uma possível parceria com o programa de residência em cirurgia plástica no Hospital Santa Rita, que é filantrópico. “O quanto antes a gente conseguir introduzir isso para as novas gerações, a gente consegue ter uma sustentabilidade do nosso sistema”, avaliou. 

Outra preocupação apresentada foi com o encaminhamento dos pacientes. A ausência de notificação compulsória é um complicador. A proposta é trabalhar o assunto nas maternidades para agilizar o tratamento dos bebês. “A ideia é que a gente possa acolher essa gestante e falar ‘olha, não tem problema. Ele vai nascer, vai se desenvolver, e assim que estiver na fase ideal a gente vai operar’”, explicou. 

“A gente não consegue acolher a gestante, mesmo as que têm o diagnóstico”, revelou a cirurgiã. A deformidade pode ser identificada ainda durante a gravidez por meio de ultrassonografia. Como o diagnóstico é fácil, considerou Basílio, o encaminhamento deve ser feito na maternidade e não pela unidade de saúde, pois “se perde um tempo aí”, frisou.

Segundo ele, o tratamento dura toda a infância e deve ser feito no momento adequado para garantir a melhor reabilitação da criança, embora a família queira amenizar esse problema o mais rápido possível. “Eu não ligo para uma cicatriz feia. Mas eu quero que meu paciente fale bem. Eu acho que uma criança com dificuldade de falar vai ter dificuldade na escola, no segundo grau, na faculdade, na inserção no mercado de trabalho”, destacou.

Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Doutor Hércules (Patri) disse que deve propor um projeto de lei para criar o Dia Estadual da Fissura Labiopalatal, em 24 de junho, para conscientizar as pessoas. Além disso, garantiu que se reunirá com a Sesa para ver a possibilidade de propor melhorias ao programa ofertado no Hospital Infantil. 

Monitoramento da saúde

Os deputados também conheceram um sistema de monitoramento da saúde por meio da aferição da Variabilidade de Frequência Cardíaca (VFC), feita pela câmera do celular e com a ajuda de uma cinta cardíaca. Para isso, é necessário que o paciente instale um aplicativo. As informações são reunidas e enviadas para um painel no qual os dados coletados pela pessoa são avaliados diariamente.

O sistema tem como uma das principais características a acessibilidade e o baixo custo, segundo Silvio Aguiar, diretor da empresa HRV4life, e é 100% online. Aguiar disse que o método é cientificamente comprovado. O aplicativo está disponível nas lojas do Google e do iOS. Doutor Hércules informou que encaminhará o material apresentado para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e ao Colegiado de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems-ES).

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