Diagnóstico precoce da hanseníase em pauta

Comissão de Saúde conheceu livro que visa ajudar os profissionais de saúde na identificação e tratamento da doença

Por Marcos Bonn, com edição de Angèle Murad

Mulher de cabelos pretos e blusa florida verde em pé com microfone na mão
A dermatologista Patrícia Deps alertou para a subnotificação da doença / Foto: Lucas S. Costa

A Comissão de Saúde conheceu, na reunião extraordinária desta segunda-feira (5), o livro “Hanseníase na Prática Clínica”, apresentado pela dermatologista Patrícia Deps, a editora principal. A obra, lançada neste ano, tem 428 páginas e 26 capítulos, e conta com a colaboração de vários especialistas, não só da área da saúde, no sentido de capacitar os profissionais no diagnóstico.

Embora seja milenar, a especialista afirmou que a hanseníase ainda é subdiagnosticada por falta de conhecimento. “Aumentar a expertise de hanseníase no mundo está entre os 11 desafios elencados pela OMS e nós estamos aqui cumprindo essa missão, produzindo material didático para que os médicos tenham material atualizado”, destacou Deps.

Segundo ela, pesquisadores e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam que caiu o número de pessoas capacitadas para o diagnóstico. “Se não diagnosticada e não tratada a tempo, ela pode incapacitar. E essa incapacidade relacionada à hanseníase traz diversos problemas, laborais, baixa qualidade de vida e outros tantos e está atreladíssima ao estigma”, frisou. 

A professora do curso de Medicina da Ufes deu dois exemplos que “acendem o sinal vermelho” quando se fala no controle desse problema, como encontrar pessoas com menos de 15 anos de idade com a doença e identificar casos em pessoas já incapacitadas. “Temos um número alto tanto de uma coisa como de outra no Brasil”, avaliou ela. 

Patrícia Deps contou que a enfermidade está presente em mais de 120 países do mundo e é endêmica no território brasileiro. Aqui, está distribuída de modo heterogêneo, mas a região central reúne a maioria dos casos. Conforme disse, o Brasil é um país prioritário para a Organização Mundial da Saúde (OMS), pois tem 14,1% de novos registros desse mal por ano, ocupando a segunda colocação. 

Álbum de fotos da reunião extra da Comissão de Saúde

História

Uma parte do livro dá destaque à questão histórica do tema. O historiador Henrique Costa Valadares revelou, por exemplo, que o estigma em torno da hanseníase começou a ganhar projeção no século 10. “A gente sabe que no século V não tinha tanto problema quanto ao estigma”. Os esqueletos mais antigos acometidos pela doença datam de 6 mil anos atrás e foram achados na Hungria. 

Conforme Valadares, a enfermidade teria surgido em algum lugar entre a Ásia Central e o Leste da África e teve o seu “boom” com a intensificação do processo de urbanização e surgimento de nichos de pobreza. O historiador Luiz Arthur Barros aborda a construção, na década de 1930, da Colônia de Itanhenga, em Cariacica, um leprosário que cumpria com política de isolamento compulsório na época. Lá fica o Hospital-Colônia Pedro Fontes. 

Heraldo José Pereira, filho de pais que viviam no leprosário, deu um depoimento sobre as dificuldades enfrentadas na época do isolamento. Ele explicou que bebês nascidos na colônia eram separados dos pais e colocados no preventório para evitar o contágio. Assim aconteceu com ele e com os irmãos. Segundo lembrou, as mães mal conseguiam olhar filhos recém-nascidos. Pereira considerou uma vergonha o país ocupar a segunda colocação no número de casos novos. 

A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, Doutor Hércules (Patri), que defendeu a permanência dos poucos pacientes remanescentes da colônia de Itanhenga e a reparação dessas pessoas. Também participaram da reunião os deputados Emílio Mameri (PSDB) e Luciano Machado (PSB), além do médico de família Marcello Dalla; da dermatologista Rachel Bertolane do Espírito Santo; e da dentista e professora da Ufes Raquel Baroni de Carvalho. 

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