Médica alerta para sinais de endometriose

A importância do diagnóstico precoce também foi destacado pela ginecologista Karin Rossi

Por Silvia Magna, com edição de Angèle Murad

Mulher loira em pé segura o microfone
Karin Rossi: é preciso conversar com as adolescentes sobre os sintomas / Foto: Lucas S. Costa

A endometriose afeta uma em cada dez mulheres no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença causa fortes dores pélvicas e pode levar a problemas sérios como a infertilidade se não for tratada corretamente. Para debater o tema, a Comissão de Saúde recebeu nesta terça-feira (16) a ginecologista Karin Kneipp Costa Rossi, que abordou a importância do diagnóstico precoce e as formas de tratamento.

Segundo explicou a ginecologista, a endometriose é o crescimento do revestimento interno da cavidade uterina para fora do útero. O material que se forma é chamado de endométrio e é renovado mensalmente por meio da descamação, durante o fluxo menstrual. A doença também afeta ovários.

Fotos da reunião extraordinária

“As células do endométrio, na pelve, vão funcionar de forma semelhante às que estão revestindo o útero. Ou seja, quando a mulher menstrua, o sangue é jogado para o canal vaginal, mas também para outros órgãos e é essa menstruação no lugar errado que é responsável por grande parte dos sintomas da doença. É preciso ficar atenta a cólicas intensas, dor pélvica, dores durante a relação sexual, sangue nas fezes e outras alterações intestinais e urinárias”, orientou.

De acordo com Karin Rossi, o diagnóstico é simples e deve ser feito o quanto antes. “São exames clínicos e de imagem. Quanto antes descobrir a endometriose, melhor para o tratamento e qualidade de vida da pessoa. A mulher deve se consultar com um ginecologista e, se for o caso, iniciar o tratamento que pode ser multidisciplinar, com uso de medicação, suspensão da menstruação e até cirurgia”, afirmou.

Informação

A especialista disse que o fato de a cantora Anitta ter divulgado o diagnóstico de endometriose fez com que a doença ganhasse espaço na mídia e em redes sociais. Segundo ela, a pouca informação é uma grande barreira no enfrentamento à enfermidade. 

“Após a Anitta, que é admirada pelo público adolescente e jovens mulheres, revelar que sofria desse mal, as pessoas passaram a buscar informação. É preciso conversar com as adolescentes sobre os sintomas, sobre o que é a endometriose. Nas escolas, em casa e nos hospitais e unidades de saúde tanto da rede pública quanto particular, precisamos dizer a elas que sentir dor não é normal. Que é possível tratar esses problemas de diversas formas”, apontou a médica.

O presidente do colegiado e proponente da reunião, deputado Doutor Hércules (Patri), afirmou que a Comissão de Saúde vai trabalhar pelo enfrentamento à doença.

“Vamos conversar com  o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, que é muito sensível a essa pauta. Também pretendemos oficiar as escolas de medicina do estado para que capacitem seus alunos sobre a importância de levar mais informação às pacientes sobre a endometriose”, afirmou.

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