Janeiro Branco: equilíbrio é aliado da saúde mental

Movimento que alerta para os cuidados com a saúde mental propõe autoconhecimento e, este ano, traz como tema central a importância de equalizar os diversos aspectos da vida

Por Gabriela Knoblauch, com edição de Nicolle Expósito | Atualizado há 5 dias

Duas mulheres, uma de frente para a outra; uma das mulheres presta apoio à outra
Reconhecer sinais que podem indicar problemas de saúde mental é primeiro passo para buscar ajuda / Foto: Freepik

Neste ano, o movimento Janeiro Branco, de conscientização sobre a saúde mental, traz o tema A vida pede equilíbrio. A iniciativa promove a reflexão e a renovação de ações e pensamentos para o ano que se inicia. O objetivo é alertar para os cuidados com a saúde mental da população a partir da prevenção das doenças decorrentes do estresse, incluindo os transtornos mentais mais comuns, como ansiedade, depressão e pânico.

A doutora em Psiquiatria Marluce Mechelli de Siqueira explica que o corpo - em seus aspectos mental, físico, social e espiritual - precisa estar em equilíbrio. “Precisamos que a nossa respiração, batimentos cardíacos, pressão, temperatura, estados emocionais, se mantenham constantes.” Ela completa que a desregulação e o desequilíbrio decorrem, muitas vezes, do fato de dedicarmos muito tempo em determinada área da vida, negligenciando as demais.

Perceber o desequilíbrio nem sempre é simples. Marluce Siqueira pontua que o problema pode ser notado quando o indivíduo observa que “vivendo uma vida que não é a sua”, sente que está resolvendo “urgências e tarefas” importantes para os outros, mas não para si e, por isso, sente-se “cansado, estressado e (des)motivado” a maior parte do tempo.

Sinais

É muito importante que as pessoas busquem a orientação de um profissional de saúde logo no início dos sintomas. Marluce Siqueira enumera quatro sinais de alerta de que é preciso buscar ajuda:


O problema, segundo Marluce, é justamente a capacidade de identificar os sinais de que algo não vai bem. “A iniciativa de procurar um profissional da saúde mental, infelizmente, costuma ser demorada, pois muitas pessoas e famílias ainda têm dúvidas sobre o caso e o momento para ter ajuda especializada, retardando a intervenção e aumentando as complicações tanto individuais como coletivas”, afirma a especialista em enfermagem em Saúde Mental e mestre em enfermagem em Saúde. 

Marluce destaca, ainda, que a saúde mental costuma receber menos atenção do que a saúde física. Isso porque costumamos estar mais atentos aos sinais físicos, como dor de cabeça, tosse e espirro, por exemplo. Já os sinais mentais, como tristeza, isolamento e choro, aponta, costumam ser negligenciados. 
 


Estimativa feita com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) aponta que 25% da população do Espírito Santo convive com algum tipo de transtorno mental. Isso equivale a cerca de 1 milhão de pessoas, considerando-se a população do estado para 2020, estimada em pouco mais de 4 milhões de habitantes.

O número, fornecido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), é determinado com base na PNS, inquérito de saúde de base domiciliar realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa traz informações sobre as condições de saúde da população e é usada para elaboração de políticas públicas. 

Ainda conforme as estimativas, cerca de 10% da população adulta do estado apresenta algum tipo de transtorno mental que necessita de tratamento intensivo, em torno de 5,8% da população apresenta transtornos depressivos, 9,3% apresentam transtornos de ansiedade e 1% tem esquizofrenia.


Onde buscar ajuda

Os sintomas de saúde mental comprometida não desaparecem naturalmente. É preciso buscar apoio médico. Entretanto, nem sempre os indivíduos que estão com essas questões sabem como proceder.

“O problema é que esse indivíduo não sabe exatamente o que tem e nem a gravidade do seu problema. Algo que poderia ser simples de ser resolvido é negligenciado e passa a afetar de forma mais severa a vida dele e dos que estão próximos”, pontua Marluce Siqueira.

O primeiro passo para conseguir ajuda, segundo a Sesa, é buscar atendimento na Unidade Básica de Saúde da região onde se reside, a fim de que seja realizado o acompanhamento pelas equipes de Saúde da Família, além dos encaminhamentos, quando necessário, para o atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Já em caso de surto psiquiátrico, é preciso acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) para ser encaminhado ao atendimento de urgência e emergência mais próximo.

Em 2021, foram realizados mais de 442 mil atendimentos psicossociais, psicológicos e atendimentos na especialidade de psiquiatria pelo Sistema Único de Saúde (SUS), somando as redes municipais e estadual. Em 2022, de janeiro até outubro, foram 308.190 atendimentos psicossociais, psicológicos e da especialidade de psiquiatria.


Caps

A Sesa informa que, por meio da implementação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do Espírito Santo, está prevista a elaboração de editais para financiar a construção de 23 novos Caps nos municípios, a partir deste ano. Atualmente o Estado mantém três Caps, estruturas que são referência no tratamento para pessoas adultas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros.

São eles: o Caps Cidade, localizado no Centro Regional de Especialidades (CRE), em Jardim América, e o Caps Moxuara, ambos em Cariacica; além do Caps Cachoeiro, localizado no município de Cachoeiro de Itapemirim, na Região Sul do estado.

Anualmente, o Caps Cidade atende um total de 332 pessoas; o Caps Cachoeiro realiza o acompanhamento de cerca de 400 pacientes; e o Caps Moxuara atende 278 pessoas. Nesses serviços, os pacientes têm assistência periódica, de acordo com o Projeto Terapêutico Singular (PTS), incluindo atendimentos individuais e coletivos.

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