Sexta-feira, 3 de junho de
2009
Da Redação
Foto: Reinaldo Carvalho
14h45
A
Assembleia Legislativa (Ales) sediou, na manhã desta sexta-feira (3), no
Auditório Hermógenes Lima da Fonseca, um ato público em repúdio ao Substitutivo
de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSBD-MG), que visa modificar os Projetos
de Lei 137/2000 e 76/2000, do Senado, e 83/2003, da Câmara dos Deputados, que
dispõem sobre crimes na rede mundial de computadores (WEB).
A
matéria já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Azeredo
propõe alterações no Código Penal Brasileiro. Uma das mudanças obriga a
identificação prévia dos usuários para começar qualquer tipo de operação na WEB,
como envio de e-mails, chats,
blogs, baixar arquivos de música, filmes e imagens, proposta que tem gerado
muita polêmica.

Oona Castro
Para
a representante do Intervozes, Oona Castro, a proposta é para atender a um
determinado grupo e não cria ferramentas necessárias para assegurar legalmente o
acesso a esse meio de comunicação. “A proposta foi apresentada sob o argumento
de combate à pedofilia, mas a intenção, na verdade, é proteger operações
bancárias”, afirmou.

Deputada federal Iriny Lopes (PT-ES)
Segundo
a deputada federal Iriny Lopes (PT-ES), o Congresso Nacional progrediu em muitos
aspectos nos últimos anos, mas agora está regredindo ao acatar uma proposta
desta natureza. “Avançamos, mas parece que agora o Congresso passou a querer
aprovar aspectos antidemocráticos, que vão de encontro aos direitos adquiridos.
Acho que o Congresso está atrasado e que a solução é uma reforma política”,
analisa.
Outro
ponto de discórdia na proposta de Azeredo é a obrigatoriedade dos provedores de
denunciar e punir todos os tipos de práticas consideradas irregulares na
Internet, dando-lhes um poder similar ao de polícia, segundo alguns críticos que
argumentam ainda
que a medida vai elevar os custos da comunicação digital no Brasil.

Professor Fabio Malini
Para
o professor Fabio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a
iniciativa fere o direito à liberdade de expressão previsto na Constituição
Federal.
“A
Internet é uma rede de comunicação aberta e livre. Nela podemos criar conteúdos,
formatos e tecnologias sem necessidade de autorização de nenhum governo ou
corporação. A Internet democratizou o acesso à informação e tem assegurado
práticas colaborativas extremamente importantes para a diversidade cultural. A
Internet é a maior expressão da era da informação”, argumenta.

Deputado Cláudio Vereza (PT)
Segundo
o deputado Cláudio Vereza (PT), todas as iniciativas de acesso à comunicação
são, de alguma forma, reprimidas. “Não sou especializado neste assunto, embora
tenha me formado em Jornalismo. Estamos vivendo um período em que a WEB oferece
ótimas possibilidades, permitindo ao cidadão se comunicar livremente, mas sempre
há uma iniciativa que visa a repressão”, afirma.
O
mesmo debate aconteceu também em outras capitais brasileiras, como Porto Alegre,
Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Distrito Federal.

Secretária de Comunicação da Prefeitura de Vitória, Ruth
Reis
O debate desta sexta-feira na Ales contou
com a participação do deputado Cláudio Vereza, do professor Fabio Malini, da
deputada federal Iriny Lopes, da representante da Intervozes, Oona Castro, e da
secretária de Comunicação da Prefeitura de Vitória, Ruth
Reis.