Segurança: comissão ouve reclamações no sul

Audiência em Cachoeiro reuniu moradores e autoridades; entre as demandas estão melhor estrutura para as polícias, aumento do efetivo e participação da comunidade

Por Aldo Aldesco | Atualizado há 7 meses

Audiência da Comissão de Segurança
Comunidade apresentou suas demandas à Comissão de Segurança da Assembleia / Foto: Aldo Aldesco

Em sua segunda audiência pelo interior do estado, a Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado ouviu moradores e autoridades de Cachoeiro de Itapemirim reivindicarem melhoria na estrutura, mais policiais, logística e participação da comunidade no combate ao crime e à violência na região. A reunião foi realizada na noite de quinta-feira (30), na Câmara Municipal de Vereadores. O colegiado é presidido pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PSL).

Confira as fotos da audiência

Um das reclamações feitas referiu-se ao efetivo das polícias Civil e Militar: segundo relatos, há sobrecarga de tarefas para a PM, que é obrigada a fazer atendimento que deveria ser realizado, por exemplo, pelo Samu. Além disso, informaram, falta estrutura para o trabalho dos policiais, que estão com baixa autoestima em decorrência dos baixos salários. 

Participantes defenderam  a prevenção como tarefa importante a ser desenvolvida, pediram novos pátios para a guarda de veículos apreendidos e pontuaram que a segurança não é somente responsabilidade da polícia, mas de um conjunto de ações institucionais, sociais e comunitárias. 

Ação social e prevenção

O comandante de Polícia Ostensiva Sul (CPO Sul), coronel Alessandro Marin, apresentou os resultados colhidos pela PM na região nos primeiros meses do ano. Foram abordadas mais de 40 mil pessoas e presas 2.300. Foi feita a abordagem a 26.900 veículos, sendo que foram recuperados 175 carros roubados e  apreendidas 129 armas. Foram mais de 35 mil ocorrências atendidas. 

“Apesar de nós sabermos que a população clama por segurança, nós dizemos que estamos fazendo nosso máximo. A população não deixa de ver a polícia na rua. Nosso limite operacional já foi alcançado há muito tempo. Nós precisamos de recursos humanos, assim como a polícia civil e os bombeiros”, disse o coronel.

“Não podemos selecionar o que vamos atender. Quando os outros setores não atendem, temos de atender o acidente de trânsito e outros eventos. O principal é a prevenção, e isso não conseguimos fazer”, apontou Marin. 

Para ele, a melhor maneira de a população ajudar a polícia é se organizar socialmente. Isso, na opinião de Marin, demanda que as pessoas participem em suas comunidades. Por outro lado, o distanciamento da polícia da população, reclamado pelas comunidades, deve-se à necessidade de atender a espaços mais extensos, sendo necessário ter veículos motorizados. Outro problema é que não há efetivos suficientes. 

Delegacia abandonada

A vereadora Renata Fiorio também destacou a falta de infraestrutura de atendimento da PM em Cachoeiro, que considera precária. “A nossa delegacia foi destruída e abandonada. Se o efetivo é pequeno, é preciso investir mais em videomonitoramento e iluminação. É preciso ter mais mecanismos de controle. Nós temos de fazer a nossa parte para cobrar mais efetivo e atenção da PM”, propôs a moradora. 

Na opinião do promotor de Justiça Gerson Ribeiro, “a população gosta muito da segurança pública. É um reflexo de que a sociedade quer mudanças ao eleger tantos deputados ligados à segurança na Assembleia Legislativa”. Ele defendeu a construção de uma Delegacia de Polícia Judiciária e sugeriu que a demanda fosse levada ao governo do estado. 

O presidente da Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, Alexon Cipriano, ressaltou a necessidade de relação mais próxima com a comunidade: “Cabe a nós vereadores colher todas as demandas vindas da sociedade”, disse. Para Cipriano, a polícia tem de trabalhar com informação; se não tem condições de estar mais próxima à população, fica difícil o trabalho. O Estado capixaba precisa se aproximar mais da população, de nossos líderes comunitários. O Estado Presente é importante, mas, se no bairro não tem escadarias, praças e condições para a população, fica muito caro qualquer investimento”, ponderou.

O vice-presidente da Federação de Associações dos Moradores e Movimentos Populares de Cachoeiro, Rogério Casaes, cobrou providências: “Nós vamos continuar nessa situação? A cidade fica sem policial regularmente. Vai sair realmente a solução ou daqui a quatro anos vamos falar a mesma coisa?”, insistiu.

Já o gestor ambiental Cleverson Zambon questionou por que a PM tem de fazer segurança com veículos caros e com quatro policiais. Segundo ele, isso vale para o trabalho também da Polícia Civil. 

Policiais

O tenente-coronel e comandante dos Bombeiros, Herbert de Carvalho, disse que, quanto mais fora aparelhada a guarda municipal, menor será a necessidade da presença da PM no município.  Segundo ele, grande parte do atendimento feito pelos Bombeiros deveria ser realizado pelo Samu. 

Já o delegado regional Rômulo de Carvalho informou que as Polícias Civil e Militar vêm discutindo formas de melhorar o trabalho, apesar dos problemas estruturais no setor. Ele pediu apoio para a construção de um Departamento de Polícia Judiciária (DPJ). “Nós temos um projeto pronto e só falta licitar. A população de Cachoeiro merece um lugar digno para ser recebida quando precisa de ajuda”, disse. 

O segundo-tenente Pyther Zuqui aprovou a realização da audiência: “Tenho cinco anos de polícia e elogio a iniciativa de debater com a comunidade a questão da segurança, a parceria entre todos em prol da segurança. É preciso valorizar o laço entre a polícia e a sociedade. O PM é reflexo da própria sociedade. Somos parceiros e não inimigos”, ressaltou.

Já o major Marsuel Riani destacou a jornada dos policiais e disse que eles “trabalham muito”. “Mas quando um policial prende 17 vezes a mesma pessoa, eu me pergunto qual é o problema e por que esse cidadão está solto. Por que um país solta traficante por falta de vaga em presídio e prende uma pessoa que não pagou pensão alimentícia, sem querer defender esse tipo de delito”, questionou.  Também fez uso da palavra, o tenente-coronel Luciano Silva Suave, para quem faltam pátios para levar os veículos apreendidos. 

Porte de armas

O apoio à flexibilização do porte de arma, objeto de decreto presidencial, foi expresso por líderes em Cachoeiro. O integrante do Movimento Ordem, Justiça e Liberdade Rodrigo Martins opinou que, diante da carência de efetivos policiais, a população pode ajudar o trabalho da polícia. Ele lamentou que o governador Casagrande tenha assinado documento contrário ao decreto presidencial sobre o tema.

Outra opinião favorável à medida foi de Frederic Delatoire, para quem é preciso mudar os paradigmas sobre o porte de arma, pois a polícia não é onipresente. Ele defendeu proposta do presidente Bolsonaro.

Já o professor de história e filosofia e também membro do Movimento Ordem, Justiça e Liberdade Welington Caligari afirmou que a sociedade costuma tratar o bandido como vítima e o policial como culpado e parabenizou a ação da PM. Para ele, foi vergonhosa a atitude do governador em assinar o documento contra o porte de arma. Caligari também defendeu a reformulação total do sistema judiciário no País.

O secretário municipal de Segurança de Trânsito de Cachoeiro do Itapemirim, delegado de Polícia Regional Ruy Guedes Barbosa Júnior, informou que a guarda municipal de Cachoeiro foi a primeira a ser armada, tem cursos de formação e trabalho integrado com pesquisas e estatísticas e reunião regular com o Conselho de Segurança. 

Deputados

O deputado Delegado Danilo Bahiense (PSL), presidente da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado, disse a audiência objetivou ouvir as demandas da Polícia Civil, PM, entidades e cidadãos de Cachoeiro. Destacou a falta de estrutura do Serviço Médico Legal (SML) e a falta de médico legista.

O deputado Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido) também participou do evento: “Nós sabemos que a carência de efetivo é uma realidade, entretanto, registramos a diminuição dos homicídios no município. Precisamos ver a realidade das ruas diante desse quadro caótico que se impõe.

Precisamos valorizar o policial civil, o guarda municipal, a polícia militar, mas precisamos também valorizar o ser humano. O único braço do Estado que chega à população somos nós policiais. Muito se cobra das instituições policiais. Mas o que efetivamente o Estado tem colocado à disposição dessas instituições? Há necessidade de políticas públicas. Boa parte dos problemas vem da necessidade de atenção no campo social. Não se faz segurança pública sem a ação social. Não existe vácuo de poder no campo social. Na ausência do Estado, o poder paralelo toma conta”, afirmou. 

Já o deputado Coronel Alexandre Quintino (PSL) ressaltou as dificuldades da região, por exemplo, o serviço de guincho, de depósito de veículos, escassez de efetivo na PM e de bombeiros. “Na Operação Verão, alguns municípios ficam desguarnecidos aqui no sul do Estado. Mas o que mais me aflige é a autoestima de nossos policiais que está lá em baixo. Não tem nenhum estado que tem o salário tão precário com o de nosso Espírito Santo”, apontou. 

Mesa

Compuseram a mesa do evento os deputados Delegado Danilo Bahiense (PSL), Coronel Alexandre Quintino (PSL) e Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido); o comandante de Polícia Ostensiva Serrano (CPO Serrano), coronel Alessandro Marin; e o presidente da Câmara Municipal de Cachoeiro, vereador Alexon Cipriano. 

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