Academia, indústria e setor público se mobilizam contra o vírus

Integrados, segmentos colocam conhecimentos e recursos para auxiliar nas diversas pontas do sistema de saúde, buscando melhor enfrentamento ao avanço do novo coronavírus

Por Nicolle Expósito

Ufes
Foto: Ufes

Da união entre academia, indústria e governo estão surgindo no Espírito Santo iniciativas extremamente necessárias no momento de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. São medidas que envolvem a aplicação de ciência, tecnologia, recursos materiais e expertise de instituições de ensino e setores público e privado em ações essenciais para conter o avanço da Covid-19 no Estado.

As medidas vão desde produção de itens essenciais para o sistema de saúde – como protetores faciais, manutenção e calibragem de equipamentos hospitalares – à aplicação de conhecimentos e recursos tecnológicos para ajudar no fluxo de pacientes em hospitais e estudos sobre o comportamento local do vírus.

Uma das iniciativas vem do Centro Tecnológico (CT) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Professores se mobilizaram para identificar formas de atuar em meio à crise de saúde. Foi então que desenharam um programa com seis linhas de ação (veja abaixo) voltadas ao fornecimento de suporte ao sistema público no enfrentamento à pandemia.


Programa conta com seis linhas de ação

150 mil protetores faciais 

Algumas ações já estão a pleno vapor como a produção dos protetores faciais para serem usados por trabalhadores da rede pública de saúde do Estado e o conserto e manutenção de equipamentos hospitalares. A expectativa é produzir 150 mil equipamentos de proteção até meados de maio. Até agora também já foram consertados e/ou calibrados 35 dos 40 aparelhos enviados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) como ventiladores pulmonares, monitores e medidores. Leitos hospitalares controlados automaticamente também serão reparados.

Com o trabalho de professores, técnicos e voluntários, além da ajuda que vem de fora do meio acadêmico, ensino e prática se aliam numa corrente essencial no momento de crise. A ação coordenada pela equipe da Ufes só é possível graças à união de esforços da academia com outras instituições de ensino como o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e setores público e privado. 

O professor e diretor do CT, Geraldo Rossoni Sisquini, é quem atua na interlocução da universidade com os outros atores do processo.  “Começamos a juntar as pecinhas para as coisas funcionarem de forma mais organizada”, conta sobre a articulação para enfrentamento à pandemia.  

Um dos apoios vem do movimento Indústria do Bem, capitaneado pela Federação das Indústrias do ES (Findes). A iniciativa mobiliza empresas a colaborarem com medidas necessárias para estruturar o sistema público de saúde e ajudar a sociedade no enfrentamento à pandemia no Estado. “O movimento tem duas vertentes, uma é para angariar recursos materiais ou financeiros e a outra é o apoio a ações desenvolvidas no sentido de ajudar o sistema de saúde, como a fabricação dos protetores faciais”, explica o vice-presidente da Federação, Luciano Raizer Moura. 

Foi a articulação da indústria que viabilizou, por meio de parcerias, a matéria-prima para a produção dos protetores – sete toneladas de acetato e oito toneladas de plástico – a fabricação dos moldes, a logística para transporte do material, a disponibilização de linhas de produção para beneficiar o plástico e de máquinas para o corte do acetato para produzir os equipamentos usados na proteção dos cerca de 80 mil profissionais do sistema público do ES. 


Processo de montagem de equipamentos de proteção para profissionais do sistema público

A ideia inicial era fazer as máscaras em impressoras 3D, no entanto, devido à grande demanda, foi necessário ajustar o processo. “Na impressão 3D teríamos condições de produzir algumas centenas de máscaras por dia. Mas o governo, por meio da Secretaria de Saúde (Sesa), apresentou uma demanda de 150 mil máscaras. Em discussões com professores da Ufes e empresas ligadas a esse grupo identificamos a necessidade de mudança do processo de produção para um processo através de injeção, sem necessidade da impressora 3D, o que nos daria condição de produzir cerca de3 mil máscaras por dia, o que vem sendo feito hoje”, explica o engenheiro Rafael Sartim, do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da ArcelorMittal, empresa que doou a matéria-prima e contribuiu ainda com recursos técnicos e humanos para o desenvolvimento da ação.

Rafael, que também é professor do Departamento de Tecnologia Industrial (DTI) da Ufes, aponta a satisfação em colaborar e ver a rapidez com que a proposta se transformou em algo concreto. “Com o fato de estarmos todos conectados conseguimos trabalhar e conversar numa proposta e, rapidamente, cada um com sua expertise e com seu papel, seja teórico, em mão de obra, equipamentos ou financeiro, colocar uma ideia no papel, tirar do papel e transformar numa realidade tecnológica, em um produto em prol da sociedade”, comemora.   

Além da finalidade humanitária a Findes entende que a medida também é fundamental para reduzir impactos dos efeitos da pandemia na economia. “A proposta da indústria é retornar às atividades de forma responsável, seguindo todos os protocolos de saúde. Mas precisamos primeiro organizar o sistema de saúde, ter condições para que o comércio volte, o consumo volte e a gente possa produzir”, defende Raizer. 

Outra etapa do processo, a montagem e distribuição dos protetores faciais, fica a cargo do Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento do Espírito Santo (CPID), ligado à Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti). Após esse processo tudo é direcionado à Sesa que encaminha os produtos às unidades. 

Modelagem hospitalar

Outra preocupação nesse momento é quanto à expectativa de crescimento vertiginoso de pacientes e o risco de colapso do sistema. Nesse sentido, outra ação fundamental desenvolvida com apoio da academia é a modelagem da demanda hospitalar. Na prática, é um estudo de capacidade para orientar como unidades de saúde podem atuar e quais os recursos materiais e humanos necessários para atender a demanda gerada pela pandemia, como número de leitos, distribuição da demanda de acordo com o nível de complexidade dos casos, necessidade ou não de montar hospitais de campanha, entre outros aspectos. 

A ação envolve professores e alunos das áreas de engenharia de produção e elétrica, não só da Ufes mas das federais mineira e catarinense. “É importante frisar que a Ufes não está parada. Nós só não estamos tendo atividades presenciais, mas estamos atuando”, ressalta a professora Patrícia Cardoso, coordenadora da frente responsável pelo estudo da modelagem hospitalar.


Conserto de ventiladores pulmonares, monitores e medidores é uma das linhas de ação


Assessoramento

Outra forma de auxiliar as ações para barrar o avanço da Covid-19 no Estado é por meio do conhecimento científico aplicado à prática. A epidemiologista Ethel Maciel e o matemático Etereldes Gonçalves, ambos do corpo docente da federal capixaba, prestam assessoramento à sala de situação do governo. “Junto com equipe do Instituto Jones dos Santos Neves vamos atuar na elaboração metodológica do estudo epidemiológico que será realizado no final de abril e início de maio para avaliar a prevalência de infectados pela doença no Estado. Isso auxilia o governo na tomada de decisões durante a epidemia”, explica a professora Ethel. 

Essa é uma das linhas de ação previstas na atuação do Comitê Operativo de Emergência para o coronavírus (COE-Ufes). Com atuação inicial prevista para 60 dias, o comitê pretende orientar as decisões da universidade e alimentar um site que será criado para disponibilizar à população informações sobre a doença e ações relacionadas à epidemia.

Outra linha é o acompanhamento da evolução epidemiológica da Covid-19 e discussão de propostas para frear a disseminação do vírus na UFES, além de atuar com os órgãos oficiais da saúde para a prevenção da disseminação do vírus. 


Ação coordenada por equipe da UIfes conta com apoio do Ifes e dos setores público e privado

Voluntários

A diferença também é feita por gente que dedica seu tempo, conhecimento e esforços em ações de combate à pandemia. Entre essas pessoas está o engenheiro da computação Ricardo Natale que colabora com a manutenção dos monitores multiparamétricos (equipamentos que acompanham indicadores e evolução da saúde do paciente) e ventiladores. Além de poder ajudar pessoas o voluntário explica de onde vem o combustível que o move a participar, mesmo sem receber qualquer auxílio financeiro. “É uma oportunidade de contribuir para nossa sociedade, de dar um retorno do dinheiro que foi investido em mim como pesquisador universitário ao longo desses anos e também mostrar à sociedade a importância da pesquisa para o país”, afirma.

A estudante de Engenharia de Produção da Ufes Jéssica Calipso também encontrou na crise oportunidade para contribuir e aprender. “Me sinto muito esperançosa para os meses que virão sabendo que há instituições, alunos e professores se unindo para melhorar a forma que estamos lutando contra o vírus. Com certeza a experiência de estar lidando com uma crise e trabalhando num momento difícil como esse está me trazendo mais maturidade e confiança para lidar com outras situações futuramente”, afirma. Jéssica colabora no acompanhamento dos projetos desenvolvidos pelo CT e em questões burocráticas. 

First slide
Garcia propõe combate a golpes contra idosos
PL prevê campanha com medidas para informar, prevenir e reprimir práticas como estelionato e apropriação ilegal de valores
Hudson quer EPI para trabalhador de funerária
Projeto do deputado obriga fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual e produtos para desinfecção de ambientes durante a pandemia do coronavírus
CPIs seguem apurações mesmo com pandemia
Notícias falsas, abandono de animais, assistência a ribeirinhos e situação de obras são alguns pontos tratados pelos colegiados
Ales apoia decisão do CNJ contra fechamento de comarcas
Deputados comemoraram decisão em caráter liminar do Conselho Nacional de Justiça contra resolução do TJES que reduzia de 69 para 42 o número de comarcas
Garcia propõe combate a golpes contra idosos
PL prevê campanha com medidas para informar, prevenir e reprimir práticas como estelionato e apropriação ilegal de valores
Hudson quer EPI para trabalhador de funerária
Projeto do deputado obriga fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual e produtos para desinfecção de ambientes durante a pandemia do coronavírus
CPIs seguem apurações mesmo com pandemia
Notícias falsas, abandono de animais, assistência a ribeirinhos e situação de obras são alguns pontos tratados pelos colegiados