Deputados criticam reabertura de shoppings

Decreto com regras de funcionamento dos estabelecimentos na Grande Vitória foi publicado no último sábado (30)

Por Larissa Lacerda

Sessão virtual
Para parlamentes, relaxamento no isolamento social aumentará número de casos e mortes por Covid-19 / Foto: Thiago Farina

A flexibilização das regras de isolamento social no Espírito santo, em especial a abertura dos shopping centers, foi criticada por deputados durante a sessão virtual ordinária desta quarta-feira (03). O governo do Estado liberou a abertura desses estabelecimentos na Grande Vitória desde segunda-feira (1º), em horário reduzido e com outras regras específicas de funcionamento, que foram publicadas em um decreto em edição extra do Diário Oficial do último sábado (30).

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O deputado Hudson Leal (Republicanos) destacou a importância do isolamento social para conter a pandemia e pediu que governo reveja a decisão de reabrir os shoppings.

“A ciência deixa claro a importância de evitar aglomerações. Essa flexibilização que está se dando nesse momento pela pressão de grandes empresários, donos de shoppings, é preocupante. O que o Estado tem feito até hoje em relação à ampliação do número de leitos não vai acompanhar o número de infectados e o número de mortos. A cidade de Blumenau, no dia 13 de abril, flexibilizou a abertura de shoppings e em 15 dias o número de casos aumentou em cerca de 160%. Temos que refletir sobre o que pode acontecer aqui no estado com essa reabertura. Apenas nos shoppings da Grande Vitória temos uma média de três mil pessoas por dia circulando. Então, venho pedir uma reflexão dos gestores para rever a decisão”.

A deputada Iriny Lopes (PT) lembrou que o Brasil se tornou epicentro da pandemia do novo coronavírus. O Espírito Santo tem hoje, de acordo com o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), 15.151 casos confirmados e 664 mortes por Covid-19. A deputada também cobrou que a medida seja revista pelo governo.

“Enquanto o secretário Nésio e o subsecretário Reblin indicam necessidade de lockdown em alguns lugares, ao contrário, vemos a abertura de shopping centers. Nos causa espanto uma pessoa tão equilibrada como o governador e o conjunto do seu governo irem nesse sentido de flexibilização. A pergunta que fica é por que o governo, que montou uma equipe técnica de altíssima qualidade, especialmente o pessoal do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos, não segue as indicações desses profissionais capacitados de que não é hora de relaxar o isolamento social. Se esse relaxamento se mantiver até o dia 15 desse mês, vamos ter um crescimento exponencial do número de casos e de mortes. Por isso fizemos em conjunto com diversos setores e movimentos sociais um manifesto endereçado ao governador mostrando que não há necessidade de reabertura dos shoppings e solicitando que a medida seja revista”.

O deputado Bruno Lamas (PSB) sugeriu a que Assembleia Legislativa (Ales) participe das reuniões entre o governo e a iniciativa privada, quando são discutidas essas questões de flexibilização do isolamento social e do funcionamento do comércio. “Chegamos no momento mais sensível da pandemia, e concordo que os números de casos no estado são preocupantes. Sabemos que o governo se reúne frequentemente com federações, como a Fecomércio. Minha proposta é que nessas reuniões a Assembleia se fizesse presente para que tenhamos informações atualizadas, não só da área da saúde, mas também das discussões sobre medidas como essas, de flexibilização do comércio”.

O presidente Ales, deputado Erick Musso (Republicanos), acolheu a sugestão, mas salientou que o convite para participar das reuniões tem que partir do próprio governo estadual.

Racismo

As manifestações contra o racismo em várias cidades do mundo, motivadas pelo assassinato de George Floyd, um homem negro asfixiado até a morte por um policial nos Estados Unidos, em 25 de maio, também pautaram discursos. O deputado Gandini (Cidadania) destacou a necessidade de ações e políticas públicas contra a discriminação racial.

“Hoje quero falar sobre outra pandemia que dura a milhares de anos, o racismo, que é causado pela ignorância, pela falta de empatia e que pode ser revertido. A morte covarde e lamentável de George Floyd chocou o mundo. Mas é algo que infelizmente acontece há vários anos em diferentes países. No Brasil vemos milhares de jovens sendo assassinados, e a maioria dele são pretos. O governo precisa discutir ações e medidas para enfrentar essa situação. Precisamos fazer uma reflexão profunda, reflexão que a política pública e os governos deixaram de lado ao longo da história. Precisamos romper essa cadeia com educação e políticas públicas para extinguir de vez o racismo na sociedade”.

A deputada Janete de Sá (PMN) também repercutiu o tema. “O que aconteceu com George Floyd não acontece diferente no nosso País. A gente precisa refletir o comportamento da população americana que foi para a rua lutar contra a discriminação. Muitos jovens negros são assassinados no Brasil, e nossa população não tem essa reação. É preciso conhecer a história, a importância do povo negro para a construção do nosso País, e equilibrar nossa sociedade tão discriminatória. Vemos no comportamento de todos nós, no dia a dia, atitudes de discriminação. E precisamos refletir e lutar contra o racismo e o extermínio da população negra”.

O racismo estrutural no Brasil também foi apontado pelo deputado Sergio Majeski (PSB). “O racismo é uma coisa muito institucionalizada nos EUA, mas é também aqui no Brasil. Recentemente, tivemos aqui o assassinado do menino João Pedro dentro de casa. Quantas pessoas nas favelas brasileiras são mortas, espancadas apenas por serem negras. Os dados mostram o racismo estrutural no Brasil quando se olha a média salarial, o nível de escolaridade e a população carcerária de negros no Brasil. Os números mostram claramente que o problema do racismo no Brasil é latente e visível em tudo quanto é lugar. Inclusive na televisão, quantos negros fazem campanhas publicitárias, e quais os papéis que os negros geralmente recebem nas novelas?”, questionou.

O parlamentar ainda falou sobre a necessidade de fortalecimento dos movimentos por direitos sociais. “Se tem uma coisa nessas manifestações que me deixa de certa forma estimulado é observar o renascimento de grandes movimentos por questões sociais e solidariedade a minorias. Espero que as manifestações reacendam em todos nós a luta pelos direitos sociais, pelos direitos de igualdade de todos e pelo fim de qualquer tipo de racismo e de qualquer tipo de preconceito. Essa é uma luta que tem que ser diária”.

Fechamento de comarcas

Os parlamentares voltaram a criticar a decisão do Tribunal de Justiça (TJ-ES) em reduzir de 69 para 41 as unidades judiciárias em todo o estado. O tema marcou os discursos dos deputados Euclério Sampaio (DEM), Enivaldo dos Anjos (PSD), Raquel Lessa (Pros), Dr. Emílio Mameri (PSDB), Dr. Rafael Favatto (Patri), Sergio Mageski, Theodorico Ferraço (DEM) e José Esmeraldo (MDB). 

Esmeraldo fez uma solicitação para que a Mesa Diretora agende uma reunião com o presidente do TJ-ES, desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa, e com o governador Renato Casagrande (PSB), para que os parlamentares possam apresentar suas preocupações e articular soluções para a questão das comarcas.

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