Setor de cultura pede protocolos de reabertura

Governo anunciou para setembro retorno de eventos e protocolos de segurança estão em discussão por autoridades de saúde, empresários e deputados

Por Redação Web Ales | Atualizado há 3 anos

Telas mostram participantes de reunião virtual
Ales, governo e empresários debatem propostas para retomada segura de atividades culturais / Foto: Ellen Campanharo

A Frente Parlamentar de Proteção e Recuperação Econômica e Social do Empreendedorismo Capixaba realizou, na noite de terça-feira (18), mais uma rodada de diálogos com os segmentos ligados ao setor cultural. Novamente o ponto central foi a retomada das atividades. A iniciativa do encontro foi do deputado Alexandre Xambinho (PL), que preside o colegiado.

Participaram da reunião virtual empresários e trabalhadores do ramo de shows, eventos e outros segmentos ligados à área. Os secretários de Estado de Cultura, Fabrício Noronha, e de Turismo, Dorval Uliana, também estavam presentes. Essa foi a terceira reunião do colegiado para a construção de um plano de atividades para o setor, um dos mais impactados pela pandemia. A exemplo da última reunião, o foco principal foram os protocolos para retorno das atividades.

Nas reuniões anteriores, deputados, agentes culturais e empresários da área de eventos e cultura vinham pleiteando a inclusão do setor nos estudos de Matriz de Risco da Covid-19. “No início do mês esse pleito foi atendido e tivemos um anúncio do governador Renato Casagrande de permissão para realização de alguns eventos a partir de setembro. Agora queremos saber qual passo o governo vai dar e como se dará a abertura”, destacou o presidente da frente, deputado Xambinho.

O secretário de Estado de Turismo, Dorval Uliana, explicou que, apesar de o momento apresentar desaceleração dos casos de Covid-19, a situação ainda exige muito cuidado. Segundo ele, toda liberação de atividades será com base em um processo de co-responsabildiade entre governo e sociedade. 

“É uma complexidade tão grande que vamos desvendando. É uma abertura que impacta tanto. É triste, mas tivemos, hoje (18 de agosto), 30 mortes. Ao mesmo tempo em que lidamos com a expectativa econômica, temos uma realidade de luto. Tomaremos cuidados para que a gente não seja promotor de uma nova retomada de crescimento da infecção. Flexibilizar e ter de parar depois é muito duro. Tem custos a serem considerados. Uma assinatura de liberação de atividade é de uma responsabilidade extrema”, desabafou.

Protocolos de segurança

“Pelo anúncio do governador em setembro devem reabrir museus, galerias e acervos culturais e para novembro as confraternizações sociais, clubes, cerimoniais, condomínios, teatros, cinema e circo. Todos os últimos com público reduzido. Para todos os eventos serão preparados protocolos junto com a Secretaria de Saúde. O setor de entretenimento, que inclui shows e festas, ainda precisa de maior atenção e ainda não temos uma previsão para reabertura”, afirmou o secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha.

“Temos de dimensionar o distanciamento, número de pessoas, limite do local e vários outros. Temos recebido sugestões de protocolo e realizamos muitas pesquisas com experiências em outros estados e países. Já fechamos o compromisso de realizar três agendas com cada setor cultural para preparar as normativas e exigências. A primeira será com representantes de eventos corporativos, outra com eventos sociais e a terceira com os empresários de circo e teatro”, anunciou Noronha.

Shows e festas

O anúncio do governo de não incluir shows e grandes eventos em novo decreto no início de setembro deixou empresários do setor bastante preocupados. “A gente não vê controle de interação social nas feiras e shoppings. Até novembro o setor de entretenimento não está em nenhuma agenda? E teremos pelo menos mais dois meses sem previsão de volta? Como vão sobreviver nessa situação? E os planejamentos para o verão? O turismo? Impressão foi que o governo jogou para a torcida. Por que só o nosso setor está pagando esta conta? Cinco meses de conversas e não vimos render nada”, reclamou o produtor Márcio Ribeiro. 

Segundo Ribeiro, por similaridade, os cerimoniais poderiam realizar festas, já que restaurantes estão abrigando essa demanda reprimida e não há controle sobre isso. Ele citou ainda festas clandestinas. “A gente poderia fazer uma gestão muito mais controlada, com público reduzido. A gente precisa reabrir pra ontem. Um congresso, por exemplo, é muito mais arriscado que um evento social de 30 pessoas”, pontuou.

Larissa Puppim, grenciadora de mídias digitais, relatou que grandes restaurantes estão fazendo eventos e a foto ainda é publicada em coluna social. “Não podemos colocar uma venda nos nossos olhos. É uma realidade e o governo não consegue controlar. Estão agindo sem protocolo. Poderiam atuar com mais segurança se não estivessem na clandestinidade”, defendeu.

Política pública

Juliana Barbosa, produtora de camarim, é organizadora de uma ação de distribuição de cestas básicas para famílias que dependem do ramo artístico. O grupo, composto por mais de 300 famílias, é chamado de “SOS Graxa ES”. “Precisamos de algo mais concreto. As pessoas precisam pagar aluguel e ter perspectiva de sobreviver. Não vivemos só de cesta básica. O setor cultural não é como restaurante. Não dá pra se reinventar. Veja só a experiência do drive-in. Não deu certo porque ninguém quer sair do confinamento de casa pra ficar duas horas confinado em um carro vendo um show de pagode”, sustentou.

Os circenses também estão enfrentando uma situação difícil. Foi o que explicou a produtora de artes cênicas Verônica Gomes. “Muitos ainda estão pagando carretas, lonas e trailers. Tudo tem muito custo de manutenção. Mas nós já estamos estudando nossas possibildiades, baseados em exemplos de São Paulo e Rio Grande do Sul. Não queremos fugir da nossa responsabilidade quanto cidadãos e quanto artistas. A bilheteria é o que move o circo. O planejamento tem de funcionar. Voltar e não ter público vai piorar a situação”, ponderou.

Participaram do encontro virtual também os deputados Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Torino Marques (PSL). A frente parlamentar é presidida pelo Deputado Alexandre Xambinho e tem como secretário-executivo o deputado Adilson Espindula (PTB).

Outras novas reuniões foram agendadas pelo presidente da frente parlamentar ainda durante este mês e início de setembro. A ideia é debater com cada segmento ligado à cadeia de cultura e entretenimento as propostas para a retomada das atividades de forma segura.

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