Saúde debate impacto da pandemia em transplantes

Segundo a Central de Transplantes, entre janeiro e agosto houve queda de 51% nas implantações de córneas, 42% de rim, 37,5% de coração e 65% de medula óssea

Por Wanderley Araújo | Atualizado há 1 ano

Tela de computador exibe participantes de reunião virtual da Comissão de Saúde
Comissão de Saúde realizou reunião virtual na manhã desta terça / Foto: Tati Beling

Setembro Verde é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Abrindo o mês, a Comissão de Saúde discutiu, nesta terça-feira (1º), a situação atual dos transplantes no Espírito Santo. A pandemia do novo coronavírus ajudou a impactar negativamente na realização dessas cirurgias, segundo a coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES), Maria dos Santos Machado.

Entre janeiro e agosto, em relação ao ano passado, houve queda de 51% nas implantações de córneas, 42% de rim, 37,5% de coração e 65% de medula óssea. Sobre transplantes de fígado, até agora foram realizados 15 contra 18 em 2019. Para a coordenadora, boa parte desse índice negativo se deve ao reflexo da Covid-19 no funcionamento dos serviços de saúde.

Maria Machado lembrou que o Espírito Santo já enfrenta o problema da resistência no sentido de autorizar a doação de órgãos. "Mesmo com o diagnóstico de morte encefálica (cerebral), muitos têm medo de autorizar a doação porque ficam à espera de um milagre de que o paciente ressuscite", relatou. O resultado desse temor, prosseguiu, é que a média anual de recusa no Espírito Santo é de 56%, bem acima da média nacional, em torno de 30%.

Ela considerou importante conscientizar os familiares dos doadores e, durante a reunião, explicou o processo de doação, captação e efetuação dos transplantes de órgãos no estado. Sobre a lista de espera de doações, a coordenadora citou que 951 capixabas aguardam por rins, 28 estão na fila do transplante de fígado; quatro de coração; e 301 de córneas.

Central

Segundo Maria Machado, a central de captação de órgãos, que funciona no Hospital da Polícia Militar (HPM), funciona 24 horas e é composta por um médico responsável técnico e por um enfermeiro coordenador.

Eles coordenam e orientam uma equipe integrada por médicos intensivistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de oito motoristas e pessoal de higienização hospitalar que auxiliam as atividades. A missão do grupo é organizar, coordenar e regular as atividades de doação e transplante; além de atuar na alocação, logística e distribuição de órgãos e tecidos.

A Central de Transplantes do Espírito Santo está interligada a unidades-polo em todas as regiões capixabas e à rede nacional, que coordena a logística de coleta, transporte e entrega de órgãos para serem implantados em que precisa desse tipo de ajuda para viver.

Doação de fígado

Presente à reunião, o subscretário de Estado de Regulação, Controle e Avaliação em Saúde, Gleikson Barbosa dos Santos, disse que, para a alegria de todos da central capixaba de transplantes, logo cedo, às 6 horas, chegou ao Espírito Santo a doação de um fígado vindo de outro estado.

"Começamos com o 'pé quente' esse primeiro dia do Setembro Verde. Nesse momento em que estou aqui falando nessa comissão o paciente que recebeu esse fígado já deve estar saindo da sala de cirurgia", comemorou.

Aprovação de projeto 

Durante a reunião, a Comissão de Saúde deu parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 514/2019, que obriga planos de saúde, hospitais, clínicas e outros estabelecimentos do gênero a informar prazos máximos de marcação de consulta e autorizações de procedimentos.

A matéria do deputado Capitão Assumção (Patri) foi aprovada com emendas. Uma delas prevê a fixação de informativo sobre esses prazos apenas nos locais de atendimento, excluindo as plataformas digitais dessa obrigatoriedade. A outra emenda suprime parágrafo do projeto que estabelece que as sanções para quem descumprir a medida serão definidas em decreto.

Entre os prazos previstos no PL constam até 7 dias para consultas como pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia. As consultas nas demais especialidades devem ser agendadas em até 14 dias úteis. Já para consultas com especialistas como fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais o prazo para a realização é de até 10 dias úteis.

O PL 514/2019 estabelece também outros prazos máximos para realização de serviços de diagnósticos e procedimentos médicos de alta complexidade.

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