Doença renal: "vida normal" com adoção de cuidados

Relatos de pacientes sobre a realização de atividades cotidianas foram apresentados à Comissão de Saúde

Por Marcos Bonn | Atualizado há 10 meses

Juliana Brandão na tela de um notebook
A enfermeira Juliana Brandão toma cuidados com a alimentação e aguarda órgão para transplante / Foto: Gracielli Duarte

Em alusão ao Dia Mundial do Rim (11 de março), a Comissão de Saúde realizou reunião virtual nesta terça-feira (9) para ouvir depoimentos de pessoas que enfrentam doenças renais em diversas faixas etárias, mas conseguem levar uma vida dentro da normalidade mediante alguns cuidados. 

Entre os convidados, o ex-secretário de Estado da Saúde José Tadeu Marino, que completa 62 anos neste mês, deu o seu depoimento. Ele explicou que nasceu com uma má-formação no órgão, mas só foi descobrir o problema quando estava na faculdade em 1982. Em 2010 foi obrigado a se submeter à hemodiálise até 2014, quando recebeu um rim após sete anos de espera. 

O médico revelou que passou grande parte como titular da pasta realizando o procedimento, ocasiões em que até despachava processos. “Não é fácil, mas quando você tem uma boa equipe, quando você começa a se autocontrolar, receber e aceitar a sua doença, você segue as normas, a dieta (...) você consegue viver, trabalhar fazendo hemodiálise”.  

Após ter recebido a doação, Marino destacou maior disponibilidade de tempo. “Mas não quer dizer que você (que) está transplantado tem liberdade total”, ponderou. Ele alertou que é necessário ter cuidados com a dieta e adotar hábitos como a prática de exercícios físicos. 

Casada e mãe de um menino de 4 anos, a enfermeira Juliana Pitanga Brandão, 42 anos, descobriu doença renal há dois anos. “Fui pega de surpresa”, revelou. Disse que até descobrir o problema, sofria com dores de cabeça insuportáveis e hoje faz hemodiálise. “Não é uma vida fácil para uma mulher jovem como eu”, destacou.

No entanto, conforme disse, tenta viver da melhor forma possível desempenhando suas atividades, inclusive esportivas, além de estudar. “Minha vida é normal”, contou. Para isso, é necessário adotar alguns cuidados, sobretudo com a alimentação, independentemente da classe social. “Dialiso para viver, mas não vivo para diálise”, pontuou.

O chefe do Serviço de Nefrologia do Hospital das Clínicas, Lauro Vasconcellos, fez o relato de uma criança que nasceu com problema congênito de rim descoberto ainda no berçário e com quatro dias de vida teve de se submeter à diálise. Aos quatro anos, ela passou por transplante e atualmente, aos 11 anos, leva uma vida normal. “Os desafios fazem parte da medicina. Aquilo que hoje pode ser impossível, amanhã vai ser comum”, afirmou o especialista. 

O presidente da Comissão de Saúde, Doutor Hércules (MDB), ressaltou iniciativas de sua autoria sobre a temática, como a Lei 10.375/2015, que estabelece a Semana do Rim. Ele também lembrou da Lei 10.633/17, que prevê atendimento preferencial a esses pacientes. 

Pandemia

Hoje atuando como subsecretário de Estado da Saúde, Tadeu Marino, disse que  agradece a “graça divina” por ter recebido um rim e destacou a importância dessa decisão por parte das famílias doadoras. Ele também lamentou a queda na realização desse procedimento durante a pandemia e lembrou que a fila de espera para um transplante de rim é a maior.

Segundo o médico Lauro Vasconcellos, houve queda de 40% nesses procedimentos. Ele revelou que os transplantes entre vivos foram suspensos no auge da pandemia. “Estamos com 3 mil pacientes em hemodiálise, sendo que 1.050 desses pacientes estão prontos para os transplantes e não têm doação”. 

“Poderíamos estar fazendo muito mais transplantes”, salientou o deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), vice-presidente da Comissão de Saúde. O parlamentar foi informado por Lauro Vasconcellos que o programa de transplante renal no Hospital das Clínicas está desativado há anos. “A Secretaria de Saúde sabe que precisa de novos centros de transplantes”, afirmou o chefe do serviço.

Sobre demais cuidados que devem ser adotados por pacientes renais, Lauro Vasconcellos aconselhou não esquecer de praticar exercícios físicos, pois muitos ganharam peso na pandemia, e usar máscaras de proteção. “Com a mutação dos vírus, com o maior alastramento da doença, não sabemos quando vamos ficar libertos disso”.   

A enfermeira Juliana Brandão contou que há um mês chegou a receber telefonema para receber um novo órgão, mas, após conversar com sua médica, resolveu não operar. Ela explicou que seria necessário tomar imunossupressores mais pesados, o que não foi indicado por causa do risco de infecção pela Covid-19. “Não era o momento certo”, pontuou. 


 

First slide
First slide
First slide
Comissões: Saúde
Saiba mais sobre os tipos de proposição
PEC, projeto de lei, projeto de resolução. Essas são algumas das proposições que tramitam na Ales. Veja a diferença entre elas e em quais situações se aplicam
Covid: projeto cria data para lembrar vítimas
Objetivo é recordar as mortes e prestar solidariedade às pessoas que convivem com as sequelas da doença
PL cria política para estudante com epilepsia
Medida de Renzo Vasconcelos visa permitir que pessoas com essa condição recebam o acompanhamento educacional adequado
PL garante alimento a estudantes nas férias
Itens da merenda escolar deverão ser entregues na forma de cesta básica, prevê projeto
Saiba mais sobre os tipos de proposição
PEC, projeto de lei, projeto de resolução. Essas são algumas das proposições que tramitam na Ales. Veja a diferença entre elas e em quais situações se aplicam
Covid: projeto cria data para lembrar vítimas
Objetivo é recordar as mortes e prestar solidariedade às pessoas que convivem com as sequelas da doença
PL cria política para estudante com epilepsia
Medida de Renzo Vasconcelos visa permitir que pessoas com essa condição recebam o acompanhamento educacional adequado