Selo de qualidade do café é pauta em comissão

Produtores falaram em reunião da Comissão de Agricultura sobre o registro de Identificação Geográfica (IG) e a importância do selo para o café produzido no estado

Por Marcos Bonn, com edição de Nicolle Expósito

Rodrigo Dias
Produtor Rodrigo Dias explicou que fatores naturais e humanos determinam qualidade do café capixaba / Foto: Ana Salles

Em reunião realizada nesta terça-feira (3), os deputados da Comissão de Agricultura conheceram sobre o processo de registro de Identificação Geográfica (IG) do café arábica do Caparaó, das Montanhas Capixabas, além do café conilon do Espírito Santo. Os convidados falaram das vantagens da iniciativa para o desenvolvimento da produção cafeicultora no estado.

O diretor-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes), Rodrigo da Silva Dias, explicou que a IG é um instrumento de valorização e proteção de produtos da região de onde é oriundo e o título é emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A IG é reconhecida em duas modalidades: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO).

Confira as fotos da reunião da Comissão de Agricultura

O engenheiro agrônomo detalhou que a região de montanhas compreende 16 municípios responsáveis por 45% da produção do arábica no ES, a maioria advinda de agricultores familiares. “Por ser uma denominação de origem, não basta que somente tenha qualidade, mas também os fatores naturais e humanos que determinam a qualidade única (...), o nosso chamado terroir”.

“A partir do momento que nós tivermos aquele selo do Café das Montanhas do Espírito Santo nós vamos saber que naquele pacote de café tem um café produzido de forma correta, respeitando o meio ambiente, produzido com qualidade, higiene, segurança do alimento, com padronização”, avaliou ele sobre as vantagens da IG.

Além disso, o selo permite agregar valor ao produto, remunerando melhor o produtor e buscando notoriedade da região internacionalmente. “Já sabemos que o café das montanhas figura no mundo dos cafés especiais como um café de ótima qualidade”, salientou o representante da Acemes. A produção se baseia na sustentabilidade econômica, ambiental e social.

Para os consumidores, Rodrigo da Silva considerou que a IG apresenta benefícios como a garantia de origem e qualidade, a rastreabilidade e um produto com apelo social e ambiental.

Trajetória

O presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec), Jorge Araújo dos Santos, explicou sobre o processo para que o produto proveniente de dez municípios do Espírito Santo e seis de Minas Gerais ganhasse o reconhecimento de IG. Conforme explicou, tudo começou com o alto desempenho em competições dos cafés produzidos localmente.

Após uma pesquisa feita com 110 famílias de 13 municípios dos dois estados, chegou-se à conclusão que “o Caparaó de fato tem uma produção de cafés especiais”. Esse foi o ponto inicial para buscar a Identificação Geográfica. A Denominação de Origem foi registrada no dia 2 de fevereiro deste ano.

O selo de IG do Café Conilon do Espírito Santo é o mais recente, segundo afirmou o presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello. O INPI emitiu o reconhecimento em 11 de maio de 2021. No entanto, revelou que ainda existe um trabalho a ser feito para colocar em prática as especificações técnicas junto aos produtores rurais.

“Na medida em que eu melhoro a qualidade do meu café eu consigo agregar valor e eu consigo facilidade de mercado”, destacou Luiz Carlos. Para ele, há a percepção de que a IG possa contribuir para manutenção da atividade e trazer notoriedade ao estado como grande produtor de conilon. “Se o Espírito Santo fosse um país, hoje ele seria o segundo maior produtor de café conilon, só perdendo para o Vietnã”.

A reunião foi conduzida pela presidente do colegiado, deputada Janete de Sá (PMN), e teve a participação de Marcos Garcia (PV), Torino Marques (PSL), Engenheiro José Esmeraldo (sem partido), Adilson Espindula (PTB), além do presidente em exercício do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Abraão Carlos Verdin Filho.

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