Convidados defendem remédio à base de Cannabis

Pedido de inclusão de medicamentos na rede estadual de saúde gerou divergência na Comissão de Saúde

Por Marcos Bonn, com edição de Angèle Murad

Mameri e Doutor Hércules sentados atrás de mesa
Comissão de Saúde realizou reunião nesta terça, de manhã / Foto: Tonico

Convidados da Comissão de Saúde defenderam, durante a reunião desta terça-feira (26), os benefícios de medicamentos à base da Cannabis sativa. Houve pedido de apoio aos deputados no sentido de viabilizar o fornecimento desses remédios para pacientes da rede pública de saúde do Estado devido ao alto custo. 

Rômulo Corrêa Alves, fundador e diretor de uma startup da área de saúde, explicou as diferenças entre a droga, popularmente conhecida como maconha, e esses medicamentos, “totalmente seguros e testados”. Segundo ele, o “uso recreativo” da planta não é o foco do debate.

Ele explicou que a maconha tem alto teor de tetrahidrocanabinol (THC), substância responsável pelos efeitos psicoativos. “Do outro lado temos o canabidiol, uma das moléculas mais estudadas da planta, totalmente segura, não tem efeito psicoativo”, disse.

Fotos da reunião da Comissão de Saúde   

Amparado na Resolução (RDC) 327/2019 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que abriu o mercado brasileiro para importação de insumos e impulsionou a produção nacional de remédios à base de Cannabis, Rômulo avaliou o surgimento de uma situação de “duplo benefício”.

“Temos o benefício principal, que é de fato ajudar as famílias que precisam dessa medicação (...) e nós temos um segundo benefício, que é a criação de postos de emprego”, destacou. 

Conforme dados repassados por ele, mais de 60 mil pessoas usam essas medicações no país, levando em consideração importações, produtos comprados nas farmácias e aqueles fornecidos por associações por um valor menor – dependendo do remédio, ele pode ter custo superior a R$ 2 mil.

“Nosso pedido hoje aqui nesta Casa de Leis é que seja levado em consideração (...) que sejam inseridas no SUS do Estado as medicações à base de Cannabis, como aconteceu em outros estados, como Goiás, para que as pessoas que precisam dessa medicação, e que hoje não têm recursos (...), tenham a oportunidade, defendeu.

O médico Fábio Pinheiro Rocha, que coordena o pronto-socorro do Hospital e Maternidade Dr. Arthur Gerhardt, em Domingos Martins, abordou o potencial terapêutico das substâncias encontradas na planta, a exemplo dos canabinoides como o canabidiol (CDB) e o THC.

De acordo com ele, há “robustez científica” para o uso medicinal da Cannabis no casos de epilepsia refratária, esclerose múltipla, dor crônica e náusea a vômitos na quimioterapia. Mas argumentou que existe potencial de uso para pessoas com Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia, Esclerose Lateral Amiotrófica, síndrome de Tourette, autismo, ansiedade, depressão, diabetes, osteoporose, lúpus, entre outras. 

Ele lembrou que os principais efeitos colaterais para substâncias extraídas da planta são boca seca, sonolência, diarreia e hipotensão.

Faltam estudos

Diante do pedido de apoio, o presidente do colegiado de Saúde, o deputado Doutor Hércules (Patri), enviará um documento para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e o Colegiado de Secretários Municipais de Saúde do Espírito Santo (Cosems-ES). 

No entanto, a iniciativa não teve a adesão do deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), vice-presidente do colegiado. Professor de Medicina, o tucano adiantou que não assinará a recomendação. Embora esteja aberto à evolução e à inovação na área, afirmou que esse tema ainda é “muito controverso”. 

Classificando esses medicamentos como off label, ele cobrou mais estudos clínicos acerca dos produtos e cautela a fim de evitar a criação de um “remédio milagroso” para todos os males. 

“Temos que ter muito cuidado, ter embasamento científico para tudo e perceber que dados isolados não têm valor científico. Não adianta chegar aqui e mostrar um caso e outro. Nós temos que fazer um estudo muito sério, mundial, para saber se realmente tem efeito”, frisou. 

Ele lembrou que a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) é contra o uso indiscriminado desses medicamentos, o que vem acontecendo. “Podemos ajudar muitas pessoas, mas podemos prejudicar muitas pessoas”, analisou Mameri ao criticar propagandas que defendem a iniciativa. 

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