Psicóloga fala sobre mitos e sinais de abuso sexual

Palestra foi direcionada para estudantes durante reunião extraordinária da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente

Por Titina Cardoso, com edição de Marcos Bonn

Estudantes na palestra
Crença de que silêncio e o tempo curam os traumas é equivocada / Foto: Lucas S. Costa

Mudança de comportamento, oscilações de humor e dificuldade de concentração e aprendizagem podem ser sinais de abuso sexual, segundo a psicóloga Jaddh Yasmin Malta Cardoso. Ela palestrou para estudantes de instituto de formação profissional da Serra que participaram da reunião extraordinária da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente nesta terça-feira (24).

Confira mais imagens da comissão

A psicóloga alertou para mudanças comportamentais que as crianças e os adolescentes podem apresentar quando sofrem abuso, como quando uma pessoa muito extrovertida fica introvertida, ou aquela que é introvertida passa a apresentar comportamento agressivo ou violento. Outro sinal é quando o estudante passa a ter dificuldade de concentração e de aprendizagem.

Ela relatou que já atendeu criança com laudo de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) mas, que, na verdade, estava sofrendo abuso sexual.

O presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), também abordou alguns sinais que devem acender o alerta dos pais e professores, como mudança de comportamento, oscilações de humor, adoção de hábitos infantilizados, queda de rendimento escolar, perda ou excesso de apetite, lesões e hematomas sem explicação aparente, entre outros.

Mitos

A psicóloga também falou sobre alguns mitos relacionados à questão do abuso sexual, como o de que os abusos são raros e não acontecem com pessoas conhecidas. “Está muito mais perto de nós do que a gente imagina”, alertou.

Ela informou que uma a cada três a quatro meninas brasileiras e um a cada seis a 10 meninos sofrerão abuso até os 18 anos. A cada hora no Brasil, três crianças são abusadas e mais de 50% têm entre um e cinco anos de idade. Noventa por cento dos abusos são cometidos por pessoas próximas, sendo 30% pais e 60% conhecidos. Todos os anos, 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente.

Outra crença é a de que o silêncio e o tempo curam os traumas vividos pelas pessoas. “Esse mito de que o tempo cura, de que a criança vai esquecer (...). O tempo não cura nada. Quem cura é psicoterapia”, disse.

“O nosso organismo não é preparado para lidar de forma saudável com nenhum tipo de violência. Os casos de violência são potencialmente eventos traumáticos. O trauma é uma experiência agressiva, violenta, que nós sofremos ou assistimos alguém sofrer e que a gente não dá conta de processar de forma adaptativa e que traz perturbações de forma intermitente”, explicou. Por isso, segundo ela, a ajuda psicoterápica é fundamental. Além disso, o silêncio sobre os casos acaba gerando impunidade, de acordo com a palestrante.

Maio Laranja

A reunião integra as ações que marcam o Maio Laranja, mês de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O deputado Danilo Bahiense destacou que, nos últimos dois anos, só na Grande Vitória houve 3,5 mil ocorrências de violência contra criança e adolescente. No estado, houve 226 partos de meninas de 10 a 14 anos. Além de Bahiense, a reunião contou também com a participação do deputado Doutor Hércules (Patri). 

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